segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Evitar o divórcio é possível

Os casamentos duram cada vez mais menos, mas para os especialistas é sempre possível salvar a vida a dois

Vladimir Maluf, especial para o iG Delas 20/11/2009 08:56

Corrigir a expectativa de felicidade depositada sobre o outro é um dos passos para salvar seu casamento

Segundo dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em 2009 a taxa de divórcios no Brasil se mostra cinco vezes maior do que em 1980. A instituição aponta a TV como um dos responsáveis por este crescimento espantoso, citando que os casais em telenovelas, quando passam por uma crise, optam pelo divórcio como solução. Mas será que se divorciar é mais fácil que salvar o casamento?
O autor do livro “Castelo de cartas” (Editora Mundo Cristão) defende a possibilidade de salvar um casamento, mesmo em situações extremas – até mesmo quando incluem violência doméstica. Gary Chapman, que é terapeuta e conselheiro matrimonial, identifica em seu livro as 10 questões que levam os casamentos ao fim: irresponsabilidade; excesso de trabalho; parceiros controladores; falta de comunicação; abuso verbal, físico e sexual; infidelidade; alcoolismo e drogas; depressão.
Promessa de felicidadeO psicanalista Ernesto Duvidovich, do Centro de Estudos Psicanalíticos, que oferece atendimento a preços populares a quem não pode pagar, afirma que são muitos os motivos que levam os relacionamentos ao fim. Mas vê um principal: a promessa de felicidade. “Fazemos um contrato sem saber que um deve ao outro a felicidade. Você tem o encargo de fazer o outro feliz e vice-versa. Isso tende a frustrar as pessoas”.
Além do número de divórcios ter aumentado, Ernesto acredita que eles vão continuar a crescer. “Está ruim e vai piorar, pois o momento que a sociedade vive incentiva cada vez mais a individualidade e a cultura do narcisismo. As pessoas têm dificuldade de fazer renúncias. Negociam muito pouco. ‘Ou é do meu jeito ou é nada’”, exemplifica.
Não espere tudo do outroA independência da mulher também gerou conflitos, com a capacidade dela viver com mais autonomia, diz Ernesto. E isso mudou o modelo de casamento. “Para conseguir manter um casamento é preciso respeitar o outro. Admitir a autonomia. É preciso que cada um tenha seus próprios projetos, aceitar diferenças, fazer renuncias e negociar. E, fundamentalmente, não esperar tudo do outro”, diz ele.
A psicanalista Elizandra Souza diz que, com a mudança do pensamento e do comportamento feminino, o homem se sentiu perdido, pois não estava acostumado e nem esperava tanta mudança. E ela concorda que a forma de se relacionar está individualizada. “As pessoas se preocupam muito mais com si mesmas e com suas realizações do que com a construção de uma relação amorosa e familiar”.
Para ela, muitas vezes, os relacionamentos são constituídos para satisfazer uma necessidade individual, não com o intuito de construir algo. “Depois de esgotada a necessidade, o relacionamento acaba”, completa.
Mas dá para evitar o divórcio repensando seu comportamento. “Quando os dois realmente querem ter uma relação madura, precisam ter consciência de que terão que abrir mão de algumas necessidades individuais em favor do casal”, diz ela.
Mas não pense que não haverá problemas. Os conflitos sempre vão rodear os casamentos, lembra Ernesto. “A falta de dinheiro atrapalha, pois gera outros problemas. A chegada dos filhos, pois a mulher desvia o olhar do marido... É assim que funciona”. Mas se a relação chegar ao fim, é momento de refletir, aconselha Elizandra.
“Comumente, apontamos os erros dos ex-companheiros na tentativa de nos desculparmos dos nossos. As responsabilidades são de ambos. Ao reconhecer os erros, temos a oportunidade de analisar nossos limites, nossas vontades, nossos medos, nossos impulsos. E daí partir para outro relacionamento com mais clareza”, encerra a psicanalista.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

ADORADORES, SIM, MAS INCRÉDULOS

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho
Fonte: www.isaltinogomes.com

Assim diz o SENHOR: Apresenta-te no pátio da casa do SENHOR e diz aos habitantes das cidades que vêm adorar na casa do SENHOR, todas as palavras que te mando que lhes fales; não omitas uma só palavra. Pode ser que ouçam e se convertam do seu mau caminho, para que desista do mal que planejo fazer-lhes por causa da maldade de suas ações” – Jeremias 26.2-3 (Almeida Século 21).Palavra dura, mas bem clara: eram adoradores, mas incrédulos. Quem vê a dimensão que o termo “adorador” tomou no cenário evangélico, pensa que io que de mais importante podemos fazer é cantar corinhos ingênuos, com cara de quem sofre crise de cálculo renal, isto é, fazendo ar de quem sente dor, franzindo testa, levantando mãos, revirando olhos. Isto é o cúmulo do status da espiritualidade evangélica: cantar letras fraquinhas em músicas capengas, com instrumentos banais, fazendo ar compungido.Os contemporâneos de Jeremias iam ao templo para adorar, mas eram incrédulos. Jogo de cena, voz tremelicada, gestual, nada disso é relevante, mas sim se a pessoa é convertida. Os adoradores do tempo de Jeremias não eram.Alguns me dirão que não devo duvidar da conversão de ninguém nem julgar ninguém. Devo e posso. Jesus autoriza: “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7.16). Tanta gente dá bordoada em pastores, por que não posso duvidar de adoradores que não mostram na vida o que cantam? Por que sou obrigado a concordar com a idéia, falsa por sinal, de que cantar é sinal de espiritualidade? Desde quando ser adorador (cantar no culto) é sinal de conversão? O sinal de conversão são os frutos de uma vida regenerada. Estou cansado de pregar em igrejas onde os menestréis adoradores não levam Bíblia e saem do templo na hora da pregação. Estou cansado de ver tanta adoração na igreja evangélica brasileira e não ver vida séria.Estou chocado com a falta de espiritualidade dos evangélicos, apesar do excesso de adoradores. Eis um trecho do livro que estou preparando sobre o fruto do Espírito e onde cito o jornal inglês The Guardian:Veja-se esta notícia, profundamente chocante, que veio na coluna do jornalista Cláudio Humberto, que é publicada em vários jornais brasileiros e na Internet, e que extrai do “Jornal de Brasília”: “CONTAGEM MACABRA – Criticando a crescente violência no Rio, o jornal inglês The Guardian acredita que ‘milhares vão morrer antes dos Jogos Olímpicos de 2016’. E fala de um novo tipo de bandidos: os traficantes evangélicos”. Aonde chegamos! Traficantes evangélicos? Como pode acontecer isto? Onde está aquele povo que tinha tanta preocupação com a conduta que excluía das igrejas quem fumasse um simples cigarro ou bebesse um copo de cerveja? Como chegamos a ter traficantes em nossas igrejas? Que evangelho está sendo pregado e que atraiu estas pessoas? Como alguém pode ter fé em Cristo (um evangélico, antigamente, era quem cria e seguia a Jesus) e ser traficante, arruinando vidas, vendendo morte, destruindo lares? Onde está o fruto do Espírito na vida desses evangélicos?Adorar faz bem a quem adora. A pessoa se libera, solta energias, faz gestos, faz cara de sofredor, manifesta status (generalizou-se a idéia de que ser adorador é ser espiritual), mas o importante é retidão. Não é concebível haver evangélicos que sejam traficantes! Há tempos que pipocam notícias, esparsas e logo abafadas, de conivência de igrejas evangélicas com traficantes. Estes traficantes evangélicos devem adorar, mas não são convertidos.Precisamos de crentes convertidos. De servos rendidos a Cristo. De gente regenerada pelo Espírito. Pode se ser adorador sem ser convertido. Mas não se pode ser convertido sem ter frutos dignos de arrependimento (Mt 3.8).
Que tal menos alarido e mais frutos de convertidos?

http://batistastradicionais.blogspot.com/2009/11/adoradores-mas-incredulos.html

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

À NOITE, TODOS OS GATOS SÃO PARDOS...

Rev. Augustus Nicodemus Lopes

Confesso que no fundo de meu coração tenho medo de me tornar como alguns nomes do evangelicalismo brasileiro que abandonaram a teologia e adotaram uma "eteroteologia" (eteros = outro; theos = deus), ou como aqueles outros que hoje aconselham para a morte, após terem sido referencial de conduta e piedade no mundo evangélico.Tenho medo, explico, porque vejo que a mesma coisa pode acontecer comigo. Percebo no fundo de meu coração uma tendência constante para afastar-me de Deus. Sinto que a tentação para a heterodoxia e para a liberação total são perigos reais que me cercam diariamente. Vejo com muita clareza que submeter-me às Escrituras e crer em Deus é um milagre na minha vida.Vi a apostasia acontecer muito de perto ao longo da minha vida. Um famoso professor de Bíblia do Recife, que foi a pessoa que me encaminhou ao seminário, abandonou a fé cristã depois de trair a mulher e abandoná-la com nove filhos. Eu estava no primeiro ano! Três colegas meus de classe, no seminário, entre os mais brilhantes da turma, hoje nem professam mais o cristianismo. Um jovem promissor que chegou ao Evangelho por minha instrumentalidade, e que posteriormente chegou até a estudar no L’Abri, com Francis Schaeffer, renegou o cristianismo histórico. Uma conhecida minha, desde a infância, que é missionária no estrangeiro, acaba de comunicar aos pais que não é mais cristã, depois de começar a viver com um homem casado. Líderes que conheci e admirei e segui durante os primeiros anos de minha vida, não deixaram as denominações evangélicas, mas já não crêem mais naquilo que me ensinaram.Há advertências constantes nas Escrituras contra a apostasia. Apostatar significa afastar-se da verdade de Deus revelada nas Escrituras, como resultado de uma mudança de pensamento, e levantar-se em rebelião aberta contra ela. O que leva uma pessoa a fazer tudo isso, a abandonar a fé bíblica, seguir a heterodoxia, renegar os valores morais do cristianismo e pregar a liberação total?Não pretendo entrar aqui na delicada questão acerca da salvação do apóstata. Talvez noutro post eu tente esclarecer os motivos para acreditar que um apóstata, no sentido real da palavra, nunca foi verdadeiramente salvo. Creio na perseverança final dos santos, dos eleitos.O que eu gostaria é de inquirir acerca dos motivos que levam uma pessoa a abandonar a fé histórica do Cristianismo, após ter pregado e defendido essa fé por muito tempo. É evidente que não poderei inquirir aqui sobre os desígnios misteriosos de Deus. A minha inquirição é apenas psicológica, espiritual e teológica.O Novo Testamento nos dá vários motivos pelos quais as pessoas se desviam da fé. Na parábola do semeador, lemos acerca dos que creram por um tempo e depois se desviaram, por causa dos cuidados desse mundo e por causa das perseguições que começaram a experimentar por causa do Evangelho. São aqueles que não acolheram sinceramente a verdade para serem salvos. A eles, o próprio Deus envia a operação do erro e da mentira (2Ts 2.9-11). Há também os que, depois de algum tempo, passaram a dar ouvidos a doutrinas de demônios (1Tm 4.1). Outros, se desviaram da fé para professar uma doutrina que acharam que era mais intelectual (1Tm 6.20-21). Com mais freqüência, há os que foram levados pela cobiça, como Judas, Balaão e Demas, que amou o presente mundo. A demora, a relutância, a indolência e a negligência em romper definitivamente com o pecado e o erro são causas prováveis de apostasia, conforme o autor de Hebreus ensina em toda a sua carta. Ele avisa que a dureza de coração e a incredulidade são capazes de afastar alguém do Deus vivo (Hb 3.12-13).Em resumo, os motivos externos são vários: amor ao dinheiro, orgulho, problemas morais não resolvidos, vaidade intelectual, falta de coragem para assumir a verdade e desejo de novidades. A raiz de tudo isso, ao meu ver, é a falta de um coração regenerado, um motivo que os autores bíblicos estão sempre prontos a admitir.O apóstata pode permanecer muitos anos na igreja e no ministério cristão sem jamais revelar a apostasia que já aconteceu em seu coração. Outros, assumem a apostasia e rompem abertamente com a fé cristã histórica, e geralmente adotam outras doutrinas que mesmo aparecendo com cara de novas e revestidas de respeitabilidade intelectual, nada mais são que as velhas heresias teológicas e morais que a Igreja já enfrentou ao longo dos anos. Eu não me espantaria se por detrás dos grandes desvios teológicos da história encontrássemos pecados não resolvidos, orgulho, vaidade intelectual, soberba, dureza de coração e – obviamente – corações não regenerados. É claro que nunca saberemos ao certo. A história não registra essas coisas que sempre são abafadas, escondidas e quase nunca declaradas.Até onde entendo, só há uma coisa que mantém o cristão na verdade: o temor a Deus, a humildade e um coração quebrantado. Os que verdadeiramente se humilham diante de Deus e tremem de sua Palavra, mesmo que errem em pontos secundários, que caiam eventualmente em pecados, jamais se afastarão definitivamente de Deus e da sua palavra. O verdadeiro crente não pode mais abandonar a Deus. Nem que queira. Nem que em momentos terríveis diga a Deus que nunca mais o servirá. Ele acaba voltando. O apóstata vence essa barreira. Ele consegue passar o limite. Ele consegue pular a cerca. Ele não receia o que poderá acontecer. Pois no fundo ele realmente não acredita.A apostasia é uma realidade muito mais presente nos meios evangélicos brasileiros do que se deseja perceber. O falso conceito de tolerância, o relativismo, a falta de convicções doutrinárias, o liberalismo teológico travestido de ciência, tudo isso favorece um quadro cinza e enevoado onde os contornos do verdadeiro Cristianismo não são percebidos com clareza. À noite, todos os gatos são pardos.

Fonte: http://tempora-mores.blogspot.com

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

No meio do caminho

de Carlos Drummond de Andrade

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O Perigo da Complacência Cristã

J. C. Ryle

Os tempos exigem visões precisas e claras da doutrina cristã. Não posso negar a minha convicção de que a igreja nominal é tão prejudicada pela frouxidão e falta de clareza internamente, como pelos céticos e incrédulos externamente. Milhares de cristãos hoje parecem totalmente incapazes de distinguir coisas diferentes. Assim como os daltônicos com relação às cores, eles não conseguem diferençar o que é verdadeiro ou falso, o que convém ou não. Se o pregador for esperto, eloqüente e fervoroso, acham-no perfeito, por mais estranhos e heterodoxos que sejam os seus sermões. São aparentemente desprovidos de bom-senso espiritual e não conseguem identificar o erro. A única coisa categórica sobre eles é que desprezam a precisão [doutrinária] e acham que todas as visões extremas, radicais e taxativas são grandemente censuráveis e muito erradas!
Essas pessoas vivem no meio de uma neblina ou nevoeiro. Não veem as coisas com clareza nem sabem no que creem. Não têm nenhuma convicção sobre as grandes questões do evangelho e parecem estar satisfeitas com serem membros honorários de toda e qualquer linha de pensamento. Ainda que a vida delas estivesse em jogo, não poderiam lhe dizer o que consideram como verdade sobre justificação, regeneração, santificação, Ceia do Senhor, batismo, fé ou conversão, inspiração, ou o estado futuro. São consumidas pelo medo doentio da controvérsia e pelo desprezo ignorante ao espírito partidário; nada obstante não conseguem definir de fato o que querem dizer com tais expressões. E assim, vivendo sem clareza e por demais obscurecidos, deixam-se descer à sepultura sem consolo na própria fé e, temo eu, muitas vezes sem esperança.
Não é difícil achar a explicação para essa condição espiritual que não tem ossos, nervos, conteúdo. Para começar, com relação à fé, o coração do homem está naturalmente nas trevas — sem o mínimo senso intuitivo da verdade — e carece verdadeiramente de instrução e iluminação. Além disso, o coração natural da maioria dos homens odeia a diligência religiosa e despreza sinceramente a inquirição paciente e esforçada. Acima de tudo, o coração natural gosta geralmente de ser louvado pelos outros, esquiva-se da controvérsia e adora ser considerado caridoso e liberal. O resultado geral é que uma espécie de amplo “agnosticismo” religioso se ajusta a grande número de pessoas, especialmente às mais jovens. Elas contentam-se em descartar como lixo toda questão controversa e quando acusadas de indecisão, respondem: “Não tenho a pretensão de entender de controvérsias. Recuso-me a examinar questões polêmicas. Acho que, no fim das contas, é tudo a mesma coisa”. Quem não sabe que pessoas assim infestam e enxameiam todos os lugares?
Assim, rogo a todos que se protejam desse estado mental indeciso relativo à fé. Ele é a peste que se propaga nas trevas e a destruição que assola ao meio-dia; é uma disposição espiritual preguiçosa e indolente que, obviamente, livra o homem do trabalho de pensar e de investigar, para o qual, entretanto, não há fundamento na Bíblia. Por amor à sua alma, ouse decidir-se sobre o que crê e atreva-se a tomar posições bem-definidas e claras sobre a verdade e o erro. Nunca, nunca mesmo, tenha medo de defender opiniões doutrinárias nítidas nem deixe que o medo a homens ou o terror mórbido de ser considerado um espírito partidário, bitolado ou afeito à controvérsia lhe torne acomodado e satisfeito com um cristianismo desprovido de sangue, de ossos, de cor, de calor, não dogmático.
Tome nota do que eu digo. Se quiser fazer o bem nos dias de hoje, ponha realmente a indecisão de lado e assuma uma fé doutrinariamente clara e incisiva. Se você acreditar pouco, aqueles a quem você procura fazer o bem não acreditarão nada. As vitórias do cristianismo foram sempre alcançadas pela teologia doutrinariamente clara; por se falar abertamente aos homens da morte vicária e do sacrifício de Cristo, constrangendo-os a crerem no Salvador crucificado; por se pregar a ruída do pecado, a redenção por Cristo, a regeneração pelo Espírito; por se levantar a serpente de bronze; por se advertir para que olhem e vivam — para que creiam, se arrependam e sejam convertidos. Esse, exatamente esse, é o único ensinamento que Deus tem honrado com o sucesso ao longo dos séculos e ainda hoje está honrando, tanto em casa como no estrangeiro.
É a doutrina — a doutrina, a doutrina clara e vibrante que, semelhante às trombetas em Jericó, derruba a oposição do diabo e do pecado. Não importa o que alguns gostem de dizer nestes dias, apeguemo-nos a visões doutrinais claras e faremos bem a nós mesmos, aos outros e à causa de Cristo no mundo.

* John Charles Ryle (10/5/1816 ~ 10/6/1900) nasceu em Macclesfield e estudou em Eton e Christ Church, Oxford; foi o primeiro Bispo anglicano de Liverpool.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Liderança Masculina na Igreja

por Vincent Cheung


A mulher deve aprender em silêncio, com toda a sujeição. Não permito que a mulher ensine, nem que tenha autoridade sobre o homem. Esteja, porém, em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, e depois Eva. E Adão não foi enganado, mas sim a mulher que, tendo sido enganada, tornou-se transgressora. Entretanto, a mulher será salva dando à luz filhos — se permanecerem na fé, no amor e na santidade, com bom senso. (1 Timóteo 2.11-15)
Vivemos num mundo de preconceito. Alguns pensam que os judeus são superiores aos não judeus, outros pensam que os homens são superiores às mulheres, e alguns pensam que os ricos são superiores aos pobres. O preconceito existe em toda direção, de forma que com grande amargura, alguns insistiriam que as mulheres são superiores aos homens, e outros alegariam que os pobres são superiores aos ricos, pelo menos em virtude. A solução do mundo para o preconceito é minimizar essas distinções; contudo, visto que essas distinções são inerentes ou permanentes, ou pelo menos difíceis de mudar, as distinções e o preconceito permanecem, e esses tipos diferentes de pessoas são deixadas sem qualquer princípio que as una.
A tentativa do mundo de minimizar as distinções geralmente sugere que todos os tipos de pessoas são boas. Isso é falso e tem resultado em fracasso. A abordagem da Bíblia é inteiramente diferente. Ela condena todos os tipos de pessoas como culpadas diante de Deus. Quer uma pessoa seja judeu ou não judeu, homem ou mulher, rico ou pobre, ele ou ela nasceu um pecador, um filho da ira. Não importa a qual grupo uma pessoa pertença, a Bíblia diz, “não há diferença”. Todos os homens e mulheres são desprezíveis. Mas então, ela declara Jesus Cristo como o verdadeiro princípio de unidade entre aqueles que olham para ele como Cabeça e Senhor. Nele, o judeu não é superior ao não judeu, porque nenhuma raça pode se comparar à raça da nova criação, a raça de Jesus Cristo. O homem não é superior à mulher, visto que por meio de Cristo somos todos membros de um corpo. O rico não é superior ao pobre, pois somos todos co-herdeiros das verdadeiras riquezas em Cristo Jesus.
Ao absorver as distinções humanas na verdadeira unidade por meio de Jesus Cristo, a única distinção que importa fica em primeiro plano, e essa é a distinção entre cristãos e não cristãos. A raça, sexo e classe de uma pessoa não faz nenhuma diferença quando diz respeito ao seu acesso a Deus por meio de Jesus Cristo. Mas se uma pessoa vem ou não por meio de Jesus Cristo faz a diferença decisiva, pois ele é o único caminho para Deus e para a salvação do pecado e do inferno. Dessa forma, desde o princípio, a Bíblia divide a humanidade em dois grupos principais.
Todavia, seria um engano pensar que a Escritura abole as distinções entre raça, sexo e classe. Onde relevante, ela repetidamente reforça algumas dessas distinções que Deus instituiu quer pela criação ou pela providência. Repetindo, a Bíblia não compartilha da abordagem do mundo ao promover a harmonia entre os homens. É adotando-se o pensamento do mundo na leitura de certas passagens bíblicas que alguns têm chegado ao ponto de se opor a vários ensinos proeminentes e explícitos da Escritura, como aqueles com respeito à liderança masculina no lar e na igreja.
A Bíblia de fato diz que não existe judeu e gentio, nem macho e fêmea, e assim por diante, em Cristo, mas o contexto sempre tem a ver com condenação e justificação da humanidade. Isto é, se macho ou fêmea, todos os humanos estão condenados em Adão. E quer macho ou fêmea, todos os que creem em Cristo são salvos por ele. As distinções humanas permanecem. Uma pessoa rica não perde todo o seu dinheiro simplesmente porque se torna um cristão. O dinheiro ainda lhe pertence, e ele ainda pode comprar coisas que o pobre não pode. Isso é estabelecido pela providência de Deus. Os dois estavam igualmente condenados sob Adão, e agora estão igualmente justificados, e têm acesso igual ao trono da graça. Todavia, a posição terrena deles não mudou. O mesmo se aplica à raça e sexo.
Quando diz respeito à ordem no lar, a Bíblia é clara que o homem é o cabeça da casa, e a esposa deve se submeter a ele em tudo como ao Senhor. Aqui Paulo está se referindo à ordem na casa de Deus, ou a igreja, e ele declara que os homens devem assumir a liderança, e as mulheres não devem usurpá-los. Isso poderia parecer machista de acordo com os padrões do mundo, e é patético ver como cristãos que aderem aos ensinos da Bíblia tentam, todavia, explicar como essa passagem não é machista. Por que devo me importar com os padrões do mundo? De acordo com os não cristãos – pelo menos alguns deles, visto que não há concordância entre eles – isso é de fato machista. E daí? Os padrões deles estão errados. A Bíblia diz que, por causa do seu intelecto deficiente, eles consideram o evangelho como loucura, mas nós compreendemos que ele é o poder e a sabedoria de Deus. Ao invés de convencê-los que a Bíblia não viola os padrões deles, os cristãos deveriam atacar esses padrões.
Não há nada na Escritura que proíba oportunidades de aprendizado às mulheres. Elas devem ter acesso igual aos ensinos bíblicos. Contudo, a Escritura de fato proíbe-as de assumir posições de autoridade na igreja. Isso não significa que suas oportunidades de ministério sejam muito limitadas, mas apenas que sua influência oficial é restringida, e que a obra ministerial que realizam deve ser feita sob a supervisão de liderança masculina. A esposa não pode ser a cabeça no lar sobre o marido, mas ela tem tremenda liberdade enquanto agir sob a autoridade do marido. Um princípio similar se aplica à casa de Deus.
Há uma mulher pregadora cujo ministério é internacionalmente reconhecido hoje. A organização e suas publicações estão todas sob sua autoridade. Seu marido é reduzido a um papel tão insignificante que passei anos sem sequer saber o seu nome, até que vi um pequeno anúncio na revista dela que mencionava algo sobre ele. Certa feita a ouvi falar sobre um texto bíblico que tratava da submissão feminina à liderança masculina. Ela não poderia negar as claras palavras da passagem, mas num momento ela urrou: “Eu me submeto ao meu marido!”. Após isso, a audiência estava muito assustada para discordar dela.
Uma mulher como essa é uma desgraça para Cristo, uma desonra para o seu marido, e ensina rebelião a mulheres crentes que invejam o que parece ser uma liberdade para servir a Cristo sem os impedimentos das restrições dos seus maridos. Por outro lado, alguém pode se perguntar como ela teve permissão de levar as coisas tão longe. É provável que seu marido tenha abandonado a liderança devido à personalidade mais forte dela. Embora isso poderia parecer como um ato de amor, é na verdade um ato de rebelião contra Deus, e contra a ordem que ele prescreveu para o lar e para a igreja. Tal arranjo permite que um homem tire covardemente o peso de si, mas essa é uma responsabilidade que Deus colocou sobre ele, e não sobre sua esposa. Como os líderes designados, espera-se que os homens reforcem as instruções de Deus. Dessa forma, quando as mulheres subvertem a ordem correta, os homens também são culpados. A ira de Deus não estará longe do caos e do desastre que resultarão.
Se os homens fracassam em liderar, em supervisionar e dar direção, e as mulheres não podem subvertê-los, então uma grande frustração é inevitável. Não é suficiente que os homens se oponham à liderança feminina – isso em si mesmo não é liderança. Os homens devem assumir os papéis que Deus ordenou para eles, sem medo, vergonha ou apologia, e então fazer esforços organizados para mobilizar todos os membros do corpo de Cristo para realizar a obra que Deus prescreveu para eles, homens e mulheres.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Encontrando a Deus

por R.C. Sproul

Todos nós ouvimos evangelistas citarem Apocalipse: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo” (Ap 3.20). Geralmente o evangelista aplica esse texto com um apelo ao inconverso, dizendo: “Jesus está batendo na porta do seu coração. Se você abrir a porta, então ele entrará”. No contexto da passagem, contudo, Jesus dirigiu seus comentários à igreja. Não tratava-se de um apelo evangelístico.
E daí? O ponto é que buscar a Deus é algo que os incrédulos não podem fazer. O incrédulo não buscará a Deus. O incrédulo não baterá. Buscar a Deus é negócio de crentes. Jonathan Edwards disse: “Buscar o Reino de Deus é o principal negócio da vida cristã”. Buscar a Deus é resultado da fé, não a causa dela.
Quando somos convertidos a Cristo, usamos a linguagem de descoberta para expressar a nossa conversão. Falamos de encontrar a Cristo. Podemos ter um adesivo no qual lemos: “Eu encontrei”. Essas declarações são de fato verdadeiras. A ironia é esta: Uma vez que temos encontrado a Cristo, isso não é o fim da nossa busca, mas o princípio. Geralmente, quando encontramos o que estamos procurando, isso assinala o fim da nossa busca. Mas quando “encontramos” a Cristo, esse é o princípio da nossa busca.
A vida cristã começa na conversão; ela não termina onde começa. Ela cresce; vai de fé em fé, de graça em graça, de vida em vida. Esse movimento de crescimento é estimulado pela busca contínua por Deus.

Coram Deo: Em sua caminhada espiritual, você está se movendo de fé em fé, de graça em graça, de vida em vida? Você está continuamente buscando a Deus?

João 14.23-24: “Respondeu Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada. Quem não me ama não guarda as minhas palavras; e a palavra que estais ouvindo não é minha, mas do Pai, que me enviou.”

João 15.10: “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço.”