terça-feira, 18 de agosto de 2009

O Evangelho para Todos os Grupos

Publicado em 11 de agosto de 2009 – 20:35
por Vincent Cheung

Isso é bom e agradável perante Deus, nosso Salvador, que deseja que todos os homenssejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. (1 Timóteo 2.3-4)
Há uma forte ênfase no Novo Testamento que, num sentido específico, o evangelho é para “todos os homens” e que Deus deseja salvar “todos os homens”. E é claro em que sentido isso é verdade. Contudo, essa ênfase tem sido com frequência distorcida, pois muitas pessoas são descuidadas e desonestas ao manusear a Escritura, de forma que falham em respeitar os contextos das passagens e considerar os motivos bíblicos que são relevantes para sua interpretação apropriada.
Para ilustrar, a Bíblia ensina que o braço de Deus não é curto. Seria ingênuo inferir a partir disso que Deus tem um braço físico, ou mesmo um corpo físico. Tal inferência não considera seriamente o texto da Escritura, mas sim desrespeita todo o testemunho da Escritura sobre a natureza de Deus, que ele é espírito, e que ele não tem forma e substância física. Quando o texto é lido em relação ao todo da Escritura, torna-se óbvio que a expressão é apenas uma metáfora para dizer que o poder de Deus é forte e sua influência extensa.
Estamos agora interessados em dois detalhes na declaração de Paulo. O primeiro é sua menção do desejo de Deus, e o segundo é o significado de “todos os homens”. Não podemos lidar com todos os detalhes nesta breve reflexão sobre o texto, mas podemos chegar a uma conclusão que seja clara o suficiente para nos capacitar captar sua lição principal.
A Bíblia ensina que Deus decreta tudo o que ele deseja, e realiza tudo o que decreta. Em outras palavras, se Deus deseja algo, isso certamente acontecerá. Ninguém pode resistir ao seu poder. Ninguém pode frustrar o seu plano. Portanto, se Deus deseja salvar “todos os homens” nesse sentido – isto é, no sentido que ele decretou – então “todos os homens” seriam salvos sem dúvida.
Outra interpretação possível para o desejo de Deus nesse versículo é que Paulo está se referindo ao mandamento moral de Deus. Um mandamento moral é somente uma definição de certo e errado, e de obrigação. Ele não especifica o que Deus decidiu que acontecerá ou o que ele fará que ocorra. Quando Paulo disse aos atenienses que Deus agora ordena que todos os homens de todos os lugares se arrependam, ele não quis dizer que Deus faz com que todos os homens de todos os lugares se arrependam, mas que Deus exige que todos os homens de todos os lugares se arrependam. Sem dúvida, o arrependimento tem sido uma exigência desde o princípio, mas até então Deus não tinha feito a exigência ser publicada a todos os homens de todos os lugares.
Então, há também dois significados possíveis para “todos os homens”. Paulo poderia estar se referindo a todos os indivíduos, ou cada pessoa individual em toda a História. Ou, ele poderia estar falando em harmonia com o restante da Bíblia e, dessa forma, referindo-se a todos os tipos de indivíduos, isto é, indivíduos de toda raça, gênero, classe e outras classificações. O que ele quer dizer aqui afeta também o possível significado para o desejo de Deus. Em particular, se Paulo está se referindo a todos os indivíduos, então, ele não pode estar se referindo ao decreto de Deus quando diz que Deus deseja salvar todos os homens. E isso porque o decreto de Deus é sempre eficaz. Se Deus decreta salvar todos os indivíduos, então todos os indivíduos serão salvos. Mas muitas passagens da Escritura nos informam que milhares de milhares de indivíduos não serão salvos; portanto, se Paulo está se referindo a todos os indivíduos, então ele não pode estar se referindo também ao decreto de Deus. Essa combinação é impossível.
Se Paulo está se referindo a todos os indivíduos, isso deve se referir ao mandamento moral de Deus. Isto é, se Paulo está se referindo a todos os indivíduos, então ele está estabelecendo o ponto que é mandamento de Deus que todos os indivíduos creiam no evangelho. Isso é verdade porque Deus de fato exige que toda pessoa creia no evangelho. Contudo, a combinação é improvável nesse versículo, pois essa não é a linguagem que Paulo usa. Ele não diz que Deus “deseja” que todos os homens creiam, mas que ele “deseja” que todos os homens sejam salvos. Se ele tivesse em mente uma obrigação moral, então a linguagem de fé e arrependimento seriam mais apropriadas, e essa é a linguagem que ele usou com os atenienses. Visto que é improvável que Paulo esteja se referindo ao mandamento moral de Deus, é improvável que ele esteja dizendo aqui que Deus agora exige que todos os tipos de pessoas sejam salvos.
A única combinação que se encaixa com o texto é que Paulo está se referindo ao decreto de Deus, não à exigência moral de Deus, e que ele está se referindo ao seu decreto sobre todos os tipos de pessoas, não todos os indivíduos. Em outras palavras, é o decreto de Deus que todos os tipos de pessoas serão salvos e chegarão ao conhecimento da verdade. Porque esse é o seu decreto, isso é o que acontecerá, e de fato isso é o que vem acontecendo desde o tempo dos apóstolos. Isso não apenas combina com a ênfase do restante do Novo Testamento, mas é também consistente com o contexto imediato. Quando Paulo diz que os crentes deveriam orar “por todos os homens”, ele quis dizer todos os tipos de pessoas, não somente os pobres e oprimidos, mas também “pelos reis e por todos os que exercem autoridade”. Então, uns poucos versículos mais tarde Paulo escreve que ele é um mestre aos gentios, o que é consistente com sua ênfase constante que a verdade não é ensinada somente aos judeus.
O Novo Testamento repetidamente se opõe às restrições que as pessoas colocam sobre o escopo da salvação, e compele-os a alargar o seu pensamento. As pessoas abrigam essas restrições em suas mentes por causa de preconceito, elitismo, tradição e assim por diante, mas elas não se aplicam a indivíduos como tais, mas a grupos inteiros de pessoas definidos por raça, gênero, classe ou alguma outra coisa. Em outras palavras, quando a Bíblia ensina sobre a profundidade da misericórdia de Deus, ela não tem em mente um debate de “alguns indivíduos vs. todos os indivíduos”, mas um debate “alguns grupos vs. todos os grupos”.
De fato, quando diz respeito a indivíduos, a Bíblia insiste que Deus não deseja e não decretou salvar todos os indivíduos. Em Romanos 9, ela inclusive diz que Deus criou deliberadamente alguns indivíduos para a destruição, e decretou individualmente sua condenação. Assim, o contraste “alguns indivíduos vs. todos os indivíduos” não está em consideração em nossa passagem, e nunca está em vista quando ela diz que Deus quer “todos” sejam salvos.
Muitas pessoas são alheias a forma como os escritores bíblicos pensam, e dessa forma impõe suas próprias categorias ao texto. O pensamento deles está sempre ocupado com a salvação de indivíduos, e eles assumem que quando a Bíblia diz “todos os homens”, isso quer dizer todos os indivíduos. Ao usar a Escritura para promover sua agenda privada, eles subvertem sua intenção e significado verdadeiro, roubando-a de sua força e sabedoria, e enquanto isso pensam estar prestando serviço a Deus ao promover a falsa doutrina que ele deseja salvar todos os indivíduos. Por outro lado, a preocupação real dos apóstolos era derrubar os preconceitos dos homens, e corrigir sua atitude sobre os tipos de pessoas que Deus decidiu salvar por seu Filho Jesus Cristo.

Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto - Agosto/2009

http://www.vincentcheung.com/

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Novidades

A partir da semana que vem estarei postando artigos referente a Deus, digo um estudo sobre Deus e a sua natureza, caso você tenha interessa de outro assunto, escreva para mim.
marcoscristian@ibest.com.br

quarta-feira, 22 de julho de 2009

REUNIONES DE ORACIÓN

Por
Charles G. Finney

"Y cualquier cosa que pidáis al Padre en mi nombre, la haré, para que el Padre sea glorificado en el Hijo. Si me pedls algo en mi nombre, yo lo haré." (Juan 14:13,14.)

1. Dios nos ha hecho de tal forma, y tal es la operación de su gracia, que somos seres que sentimos afinidad unos por otros, nos comunicamos los sentimientos. Un ministro, por ejemplo, con frecuencia, inspirará sus propios sentimientos a toda la congregación. El Espíritu de Dios que inspira su alma, hace uso de los sentimientos para influir en sus oyentes, tal como hace uso de las palabras que predica. Del mismo modo usa Dios los sentimientos de los cristianos. No hay nada más apropiado para inspirar un espíritu de oración que el unirse en oración conjunta con otro que tiene el Espíritu él mismo; a menos que éste esté tan adelantado que su oración sea una repulsa para el resto. Su oración despertará a los otros, siempre que no estén a demasiada distancia, atrás, como para alterarse y resistirle. Si están más o menos a la misma altura en los sentimientos, su espíritu los alumbrará, los encenderá y el fuego se esparcerá alrededor. Un individuo que posee el espíritu de oración, a veces, levanta a una iglesia entera, y extiende el mismo espíritu alrededor, de lo que resulta un avivamiento general.
2. Deja la reunión al Espíritu de Dios. Que los que desean orar, oren. Si el lider ve algo que haya que enderezar, que lo haga notar, libremente y con amabiliidad, y una vez rectificado, que se siga. Sólo que hay que ser cuidadoso de decir lo que sea en el momento oportuno, para no interrumpir el curso del sentimiento, o apartar los pensamientos de las personas del tema apropiado.
3. Generalmente, los hay siempre que oran largo rato en una reunión, no porque tengan el espíritu de oración, sino porque no lo tienen. Son personas que van desenvolviendo una oración interminable, diciéndole a Dios quién es y qué es, o bien despliegan al orar todo un sistema teológico. Algunos predican; otros exhortan al pueblo, hasta que todo el mundo desea que se callen, y Dios también, supongo. Deberían ir al grano, orar por lo que tienen que orar, y no seguir la imaginación de sus corazones por todo el universo.
Cosas que pueden destruir una reunión de Oración.
4. Cuando hay una falta de confianza en el líder, no hay que esperar ninguna bendición. Sea por la causa que sea, aunque no tenga la culpa, el hecho es que el que dirige una reunión puede impedir toda bendición. He presenciado esto en iglesias, en que había algún anciano o diácono desgradable (quizá con razón, quizá no) que dirigía, y la reunión moría bajo su infiuencia. Si hay una falta de confianza con respecto a la piedad, capacidad, juicio o lo que sea, relacionada con la dirección de una reunión, todo lo que esta persona diga o haga caerá en el suelo. Lo mismo se puede decir que ocurre en una iglesia que ha perdido la confianza en el ministro.
5. Hay personas que llegan tarde a la reunión. Esto es un gran estorbo. Cuando se ha empezado a orar, y la atención está concentrada, con los ojos cerrados y la mente abierta, y en medio de una oración, alguien abre la puerta y atraviesa la habitación. Algunos miran y su mente se distrae. Cuando tratan de concentrarse otra vez, entra otro, y así sucesivamente. Yo creo que el diablo no se preocupará mucho del número de personas que asistan a una reunión de oración, con tal que lleguen después que haya empezado la reunión. Yo creo que, en realidad, está contento que vayan muchos así, para que pueda mantener distraídos a todos, escurriéndose entre los demás y buscando un asiento, para tener a todo el mundo distraído.
6. Si se canta demasiado, esto estorba la reunión. El espíritu que siente agonía por orar, no lleva a las aimas a cantar. Hay tiempo para todo, tiempo para cantar y tiempo para orar. Pero si sé lo que es sufrir dolores de parto por las almas, los cristianos nunca tienen menos ganas de cantar que cuando tienen el espíritu de oración por los pecadores.
7. Con frecuencia la reunión de oración sufre daño porque los decién convertidos son llamados a cantar himnos gozosos. Esto es altamente inapropiado en una reunión de oración. No es el momento de que se entusiasmen en gozoso canto cuando hay tantos pecadores alrededor, y sus propios antiguos amigos, que avanzan en dirección al infierno. Un avivamiento se ve con frecuencia amortecido cuando la iglesia y el ministro se dejan llevar por el impulso de cantar con los recién convertidos. Pues, al cesar de orar, para gozarse cuando tendrían que sentir más y más por los pecadores, agravian el Espíritu de Dios, y pronto se encuentran que su intenso deseo y agonía por las almas se han desvanecido.
8. Las reuniones de oración son, con frecuencia, demasiado largas. Habría que terminarlas cuando los cristianos todavía sienten interés, y no dejar que se deshilvanen hasta que todo interés ha muerto y el espíritu de oración ha desaparecido.
Todo ministro debería saber que si descuida las reuniones de oración, toda su labor es en vano. A menos que consiga creyentes que asistan alas reuniones de oración, todo lo demás que haga no va a mejorar la condición espiritual de su iglesia.
9. Las reuniones de oración son las reuniones más dificiles de mantener, y sin duda ha de ser así. Son tan espirituales que, a menos que el líder esté especialmente preparado, su corazón y su mente, pronto van a disminuir. Es en vano que el líder se queje que los miembros de la iglesia no asisten. De diez casos, nueve es el líder el que tiene la culpa de que no haya asistencia. Si él tuviera los sentimientos que debe tener, los miembros encontrarían la reunión tan interesante que asistirían de modo natural. Si es tan frío y aburrido, y falto de espiritualidad que enfría a todo el mundo, no es de extrañar que los miembros no asistan a las reuniones. Hay quejas por parte de los diáconos u otras personas a cargo de las reuniones que hay falta de asistencia a las mismas, pero la verdad es que son ellos los que con su frialdad hielan de muerte a todos los que asisten.
10. El gran objetivo de todos los medios de gracia es la conversión de los pecadores. Deberias orar para que se convirtieran allí. No ores para que sean despertados y redargüidos, sino para que se conviertan allí mismo. Nadie debería orar, o hacer algún comentario de modo que diera la impresión de que considera que algunos pecadores saldrán de allí sin haber dado su corazón a Dios. Hay que dar la impresión en su mente de que es en aquel momento que han de entregarse. Si tienes esto en cuenta cuando cuando oras, Dios escuchará.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Está Amarrado Em Nome de Jesus!

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho


Tenho ouvido e lido muito a frase “Está amarrado em nome de Jesus!”. E me indago: “De onde saiu esta idéia?”.Cada vez mais as pessoas ouvem conceitos e os repetem sem análise. Um grupo de pastores não batistas me convidou para lhes falar sobre pregação, numa manhã. Lá fui.Discutiram depois sobre o aniversário da sua cidade e decidiram pedir ao Prefeito uma oportunidade para os evangélicos na ocasião. Solicitariam que todo o trânsito fosse parado, cessada toda a movimentação, e fariam uma oração, amarrando Satanás naquela cidade e declarando-a possessão do Senhor Jesus. Afinal, a palavra tem poder e a vitória devia ser declarada. Foi um alarido de concordância geral. Como visitante, timidamente, fiz uma pergunta a um deles: “Depois que vocês declararem Satanás amarrado nesta cidade e a declararem como sendo do Senhor Jesus, isso acontecerá realmente?”. “Sim!”, respondeu-me ele, titubeando. “Não haverá mais crimes, nem roubos, nem prostituição, nem drogas na cidade? Vocês podem afirmar isso?”, retornei. Foi constrangedor. Como não podia afirmar, o colega preferiu me achar incrédulo e pensar que tinham feito um mau negócio convidando um preletor batista tradicional. Foi uma saída melhor do que pensar. Aliás, pensar é problemático. Repetir chavão da moda é bem melhor.Amarra-se Satanás com uma frase? Quem disse isto? Qual a base bíblica para esta declaração tão revolucionária? Porque, se verdadeira for esta interpretação, podemos amarrá-lo para sempre! Adeus, penitenciárias, crimes, pecados! Traremos o céu para a terra com uma simples declaração! Nem o próprio Jesus fez isso!Tal idéia deve vir de Mateus 12.29 e Marcos 3.27 (deixo de lado Apocalipse 20.2 cuja análise não comporta aqui). Os dois textos tratam do mesmo evento. Lucas 11.17-23 também narra o episódio, mas omite a declaração de Mateus e Marcos: “amarrar o valente”. Convenhamos: a base é muito precária para estabelecer uma doutrina e uma prática tão revolucionárias.Jesus havia feito uma série de curas, conforme Marcos. A que mais impressiona Mateus é a do endemoninhado cego e mudo. Era o cúmulo da desgraça: não ver e não falar, além de ter demônios. Jesus o curou. Atônitos, sem ter o que dizer, os fariseus o acusaram de agir por Belzebu, divindade cananéia, cujo nome significa “Baal, o príncipe”. Esta definição do nome Belzebu fica bem clara em Marcos 3.22. Para os fariseus, Jesus não estava agindo nem mesmo por um demônio conhecido, mas por divindades estrangeiras.A resposta de Jesus, como sempre, é admirável. Se ele estivesse mancomunado com Satanás ou Belzebu (uma “divindade” pagã, para ele, é demoníaca) seria um caso de guerra civil. Satanás estaria contra Satanás. Seria uma casa dividida e uma casa dividida não subsiste. Mas ele veio pelo Espírito de Deus e com ele irrompeu o reino deDeus (Mateus 12.28). Jesus entrou num mundo dominado pelo maligno (1 João 5.19) e estabeleceu seu reino. Ele veio para libertar os oprimidos do Diabo (Atos 10.38) e destruir as obras de Satanás (1 João 3.8). Veio ao terreno dominado pelo inimigo, adentrou seus domínios e abalou seu poder. Isso é como entrar na casa do valente, amarrá-lo e tomar seus bens.Para alguns comentaristas, os bens são as pessoas dominadas por ele. Broadus pensa que se refira aos demônios dirigidos por ele e sobre quem Jesus mostrava poder. Talvez os contornos da declaração de Jesus não sejam relevantes. Parece-me haver aqui uma metáfora de um só sentido, em que as particularidades não contam. O que importa é isto: há um homem forte que tem bens. É Satanás. Um mais forte que ele, Jesus, invade seus domínios e o vence. A vitória de Jesus no deserto (Mateus 4.1-10) mostra sua superioridade sobre Satanás.É aqui que surge a expressão “amarrar o valente” (Mateus 12.29 e Marcos 3.27). Jesus fez isso. Ele limitou o poder de Satanás. Mas atenção: em lugar algum a Bíblia diz que os crentes amarram Satanás. Isso foi obra de Jesus ao irromper na história com seu reino, abalando o poder do inimigo. Crentes não amarram Satanás. A Bíblia não traz um versículo sequer dizendo que com uma simples declaração conseguimos esta proeza. É muito simplismo e pretensão de algumas pessoas presumirem que suas palavras amarram Satanás.Levanto algumas considerações para pensarem:
1a) Por que o amarram em cada culto? Ou fica amarrado para sempre ou alguém o solta! Quem o solta depois que ele é amarrado?
2a) Se ele está amarrado, quem está agindo? É impossível deixar de reconhecer que ele está solto, agindo neste mundo.
3a) Jesus estava sendo literal?
Devemos tomar a expressão como algo literal e dar-lhe um sentido universal, aplicável a todos os crentes, num sentido que Jesus não deu? Ou estava usando uma linguagem em figura para dizer que não tinha ligação alguma com Satanás, que eram adversários e que ele tinha vindo para destruir o Maligno? O próprio Jesus, que veio para amarrá-lo, foi tentado por ele (Mateus 4.1-10 e 16.23). Paulo nos adverte que é contra ele e seus asseclas que temos que lutar (Efésios 6.12). E nos aconselha a nos aparelharmos para a luta (Efésios 6.13-18). O quadro é de luta e não deste simplismo de deixar o inimigo amarrado com uma palavra.4a) Qual a base bíblica para esta afirmação? É isto que não consigo entender: como práticas que resvalam para doutrina são estabelecidas em nosso meio, apenas com tintura bíblica, mas sem embasamento? Afinal, Paulo nos aconselha a lutarmos contra ele, em vez de amarrá-lo. Tiago 4.8 e 1 Pedro 5.9 nos aconselham a resistirmos ao Diabo, em vez de amarrá-lo. Por que a Bíblia não deixa bem claro, se é possível isso, que o amarremos com uma frase de efeito?5a) Não será uma estratégia do próprio inimigo disseminar em nosso meio a idéia de sua fraqueza e que é fácil vencê-lo? Não será seu interesse que os crentes pensem que uma frase feita o impeça de agir e assim nos descuidemos de nossa vigilância?Sugeri certa vez, numa comissão doutrinária, que um semestre de Doutrina do Espírito Santo fosse incluído no currículo teológico. A terceira pessoa da Trindade ainda é pouco estudada em nosso meio, por isso tantos desvios doutrinários envolvendo-a. Creio que precisamos estudar também sobre o Diabo. Na realidade, precisamos estudar mais séria e criteriosamente a Bíblia. Fugir das novidades e “grifes” evangélicas que pululam aqui e acolá, das “descobertas” de cada dia, obra de pessoas que diariamente “redescobrem” o evangelho que jamais alguém viu em dois mil anos de cristianismo, e firmar-nos na doutrina equilibrada da Palavra de Deus. Amarremos o espírito novidadeiro, o espírito ateniense (Atos 17.21) que há em alguns (por favor, “espírito”, aqui, é linguagem figurada). Isso será bom. Haverá um pouco mais de paz doutrinária no meio das igrejas. Em outras palavras: dá pra parar de inventar?


Neopentecostalismo, Teologia Sistemática

quinta-feira, 25 de junho de 2009

A força da imagem

Por: Isabel C. S. Vargas
Já mencionei minha opinião à cerca da influência que a televisão exerce na vida das pessoas, a ponto de torná-las escravas de horários, de programas, de emissoras, das mensagens diretas ou camufladas (subliminares) emitidas nos comerciais e até mesmo no desenrolar das novelas, de modo que nem percebem que aquilo está sendo absorvido, pela forma sutil (às vezes nem tanto) que são inseridas. Em decorrência deixam de ter maior convivência, mais entrosamento, momentos de diálogo e de interação com os demais membros da família.
Antigamente, toda a família reunia-se na sala para assistir televisão. Hoje, adultos, adolescentes e crianças têm aparelho nos respectivos quartos, o que favorece o distanciamento, cada um assistindo o que lhe interessa, sendo que muitas vezes assistem programas inadequados para a idade, absorvendo conteúdos de programas violentos, impróprios para a idade e consequentemente para seu grau de amadurecimento.
O diálogo torna-se raro, a influência positiva que deveria ser transmitida no convívio familiar torna-se escassa, sendo suprida de forma errônea pelos programas de televisão, no geral sem cunho educativo, formando conceitos distorcidos, transmitindo valores falsos, além de habituar a quem assiste às situações violentas, absurdas (agressão, morte, espancamento, estupro, discriminação, furtos, roubos, seqüestros, extorções, corrupção, estelionato e uma gama enorme de condutas tipificadas no Código Penal) de forma que assim acaba ocorrendo o fenômeno denominado psicoadaptação, no qual o indivíduo já não reage mais frente à ocorrência dos mesmos, porque eles se tornaram habituais, estão inseridos no cotidiano de todos.
A substituição do hábito da leitura - no qual cada um dá asas à fantasia e produz a imagem que lhe parece representar o que está lendo, desenvolvendo desta forma a imaginação - pela imagem pronta recebida através da televisão ou mesmo do computador, empobreceu a fantasia, o sonho a imaginação de cada um, assim como o vocabulário e o diálogo. Muitas vezes ocorre de compararmos a leitura de determinado livro, com o respectivo filme e verificarmos que o livro parece sempre melhor, mais completo que o filme, isto porque a imagem substitui muito do livro além de ser passada da forma que é interpretada, entendida pelo diretor e transmitida pelo ator, não correspondendo ao imaginado no desenrolar da leitura.
Por tudo isto creio que a criança parece crescer rápido demais, perdendo muito cedo o doce sabor da ilusão, da fantasia, da pureza, da ingenuidade, pela forte influência da mídia; o jovem torna-se descrente de certos valores que podem lhe parecer ultrapassados, pelo que está faltando ser passado pela família e frente às “verdades” ou realidade que lhe é transmitida pela televisão, de maneira muito forte; o adulto sente-se frustrado pela impotência de enfrentar um concorrente tão poderoso e que ao invés disto deveria ser um auxiliar na educação dos filhos; o idoso fica totalmente fora deste contexto, tão distanciado de tudo aquilo que vivenciou no passado e que se processa numa velocidade acentuada, num ritmo diferente daquele que a idade lhe permite acompanhar, entender e absorver.
A leitura, a televisão, o computador, a internet, todos os avanços tecnológicos são ótimos, devem ser valorizados, mas não podemos cultuá-los como se fossem mais importantes que os seres humanos e os relacionamentos.
É importante usá-los com discernimento e colocá-los a serviço da evolução do ser humano e de uma convivência melhor e mais fraterna.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Tendo os Líderes que Merecemos

por Rousas John Rushdoony

Porque este é um povo rebelde, filhos mentirosos, filhos que não querem ouvir a lei do SENHOR. Que dizem aos videntes: Não vejais; e aos profetas: Não profetizeis para nós o que é reto; dizei-nos coisas aprazíveis, e vede para nós enganos. (Is 30.9-10)

Resumindo, Deus diz que um povo terá o tipo de líderes que deseja. Eles demandarão e aprovarão somente homens que falem coisas aprazíveis e profetizem promessas de mentira. De fato, diz Miqueias 2.11, se um homem com espírito de falsidade declarar que a salvação reside na embriaguez, “será esse tal o profeta deste povo”. A autoridade e liderança que o povo exige é conformidade ao caráter deles. A autoridade exercida por nossos presidentes reflete a fraqueza do caráter americano, e o mesmo é verdadeiro de todo país no mundo.
Um povo será governado por uma autoridade que se conforma à fé e caráter deles. Tentativas de reforma no legislativo e judiciário, sem uma reforma semelhante na fé do povo, são fúteis.
O recurso judicial criado por Deus não tem como objetivo eliminar o pecado; antes, ele oferece justiça a um povo que deseja justiça. O mundo todo hoje está praguejado de injustiça porque as pessoas não querem justiça, exceto quando esta servir aos seus interesses. As pessoas podem concordar que a justiça é boa, mas elas se sentem mais confortáveis sem ela. Elas estão prontas o suficiente para condenar a dívida, e admitir os males pessoais e sociais de uma dívida a longo prazo, mas ainda justificarão seus empréstimos tomados a longo prazo. Em cada ponto, o homem na verdade diz: que o mundo seja bom, para que eu possa ser mais livre e estar mais seguro em meu pecado e egoísmo.
Se as pessoas hoje desejassem verdadeiramente a justiça, nós a teríamos. Se desejássemos um presidente piedoso, teríamos um. Contudo, em todo o mundo, vemos apenas os líderes perversos como os mais fortes. Aparentemente, o que os homens menos desejam é uma ordem social justa, porque isso requer que eles sejam justos em primeiro lugar.
A lei de Deus fornece justiça e autoridade verdadeira àquelas pessoas que desejam isso.

Fonte: R. J. Rushdoony, Systematic Theology in Two Volumes (Vallecito, CA: Ross House Books, 1994), 1192.Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Lidando com alunos problemáticos

Rousas J. Rushdoony


Se partirmos de premissas falsas, sempre falsificaremos e
interpretaremos mal todos os problemas que enfrentamos. Em lugar de
resolver nossos problemas, os agravaremos. As escolas estatais são
cada vez menos competentes em lidar com os problemas do
comportamento delinqüente porque raciocinam a partir de premissas
falsas. Como resultado, não conseguem compreender a natureza do
problema que enfrentam.
No final dos anos 1960, o Comitê sobre a Violência do
Departamento de Psiquiatria da Escola de Medicina da Universidade de
Standford estudou o problema da violência no mundo moderno. Nem
uma só vez em seu simpósio sobre Violência e a Batalha pela Existência
o pecado foi considerado a causa primária da violência. Ao invés disso,
em termos evolutivos, encararam a violência como um aspecto da luta
do homem por adaptar-se e relacionar-se com o meio. Na verdade,
viram como um fator “significativo”, como algo que contribuía para a
violência social, todas aquelas restrições relacionadas ao “castigo da
relação sexual extramarital”. Em outras palavras, os padrões morais
cristãos promoviam a violência!1
Tais opiniões, atribuindo a delinqüência e a violência a fatores
ambientais ou evolutivos, são bastante freqüentes. Um cristão professo,
diretor de uma escola estatal, me disse que toda a delinqüência tinha
sua origem no ambiente e na herança genética. Quando citei numerosos
exemplos que desmentiam sua tese, incluindo o exemplo de uma jovem
nascida em uma família absurdamente depravada e que foi violentada
várias vezes por membros ou amigos da família quando era criança e
ainda adolescente, e de como chegou a se tornar uma mulher e mãe
cristã feliz após sua conversão, ele me disse que era “ilegítimo”
introduzir a teologia nos problemas sociais! Se a palavra e o poder de
Deus não governam todas as áreas da vida, então Ele não é Deus.
O problema primário de toda a delinqüência em qualquer idade
sempre é o pecado. Em qualquer caso de pecado impenitente, a Bíblia
dá à igreja uma responsabilidade bem definida: a excomunhão.

...Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda?
Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de
fato, sem fermento. (1Co. 5:6-7)

Paulo está descrevendo aqui a necessidade de expulsar, pela autoridade
de Deus, os delinqüentes, os pecadores. Suas palavras se aplicam a
todas as instituições cristãs, à escola bem como à família. Um costume
do judaísmo ortodoxo, agora menos praticado, que tem profundas
raízes no Antigo Testamento e na família, celebrava um funeral para
qualquer membro apóstata, e, a menos que ele se arrependesse, era
considerado morto para todos os efeitos práticos.
Várias escolas cristãs andam tropegamente por causa de sua
desobediência à Escritura neste ponto. Por não expulsarem o
impenitente, permitem a corrupção de todo o corpo estudantil.
Ademais, é importante que reconheçamos o que significa
arrependimento na Bíblia. A palavra em grego é metanoia; significa uma
mudança de rumo, de vida, de direção, de pensamento e de conduta. O
arrependimento na Bíblia não é uma questão de dizer somente “me
arrependo” ou “lamento”, mas significa uma mudança total de vida, do
pecado e impiedade para a fé e a justiça.2
A instrução em uma escola cristã se efetiva em termos dessa vida
de fé, justiça e serviço a Deus por meio desse conhecimento. Há um
lugar legítimo para os filhos dos incrédulos na escola cristã, porém não
há lugar para uma criança delinqüente, não importa de que lar tenha
vindo. Em alguns casos, a criança pecaminosa provém de um professor
da própria escola. Em todos e em cada um dos casos, a integridade da
escola requer um tratamento firme do problema, e se necessário, a
expulsão.
A desculpa mais comum dada pelos pais é que, de alguma
maneira, a culpa é do professor e que “o professor não compreende
meu filho”. É preciso lidar com estes argumentos de maneira firme.
Primeiro, nenhum professor é perfeito, e portanto impecável ao tratar
com uma criança. Isto está fora de questão. O estudante tem a
responsabilidade de ser obediente e receptivo na sala de aula,
independentemente do professor, e o pai tem a obrigação de exigir isto
de seu filho. Segundo, não é obrigação do professor “compreender” a
criança mas, sim, instruí-la. Só uns poucos professores me
compreenderam, se é que algum o fez, e às vezes isso era doloroso.
Contudo, todos me ensinaram, e fui eu quem saiu ganhando.
Além disso, os pais necessitam ouvir, de forma firme mas amável,
que há uma diferença entre defender seu filho e ajudá-lo. Muitas vezes
se defende melhor uma criança do pecado castigando-a. Ajudamos mais
aos nossos filhos quando lhes dirigimos para verem que devem se
conformar ao padrão de Deus, não ao do mundo ou a padrões pessoais.
A escola, a criança e os pais sofrem quando não se trata com o pecado
de uma criança a partir das Escrituras. Um jovem com um Q.I. elevado,
nascido de pais brilhantes, vive hoje com um soldo muito precário que
exige que sua esposa trabalhe fora. Ele foi expulso da universidade.
Seus pais, devido à proeminência que tinham nos círculos cristãos e à
tola obstinação em defender seu filho, nunca estiveram dispostos a
enfrentar a verdade com respeito a ele, e quase nenhum professor de
nenhuma escola cristã se atreveu a fazê-lo. O que se atreveu a fazê-lo
não recebeu apoio por parte do diretor nem do pastor. O resultado foi
uma vida desperdiçada, dois pais amargurados, e uma quantidade de
anos de sofrimento para alguns professores. Neste caso, o pecado do
filho foi agravado pelos pais, professores, diretor e pelo pastor. Todos
pecaram contra o Senhor, e contra outras crianças, cuja aprendizagem
foi prejudicada por um garoto malcriado. Pecamos quando não
enfrentamos o pecado como pecado. Pecamos quando fazemos vista
grossa para o pecado e o chamamos com nomes como “hiperatividade”.
O pecado de uma criança não deve ser ocasião para o pecado de todo o
corpo da escola.
O Senhor não abençoa nossos pecados, mas nossa fidelidade. Foi
o pecado de Adão o que conduziu à queda e ao sofrimento do homem.
O pecado ainda é nosso inimigo primário. Uma escola cristã não deve
ser delinqüente ao tratar com o problema do pecado.
As razões mais comuns para justificar o fracasso de não tratar
com o pecado dos estudantes são, primeira, o medo de perdas
financeiras. A perda financeira pode ser real, porém a questão tem a ver
com prioridades. O que é mais importante: o rendimento financeiro, ou
a benção do Senhor e o bem-estar da escola? Ademais, a escola que
tolera o pecado sofrerá financeiramente no longo prazo.
Segundo, o medo dos pais, geralmente por serem pessoas de
renome na comunidade. Se formos governados por tal temor, então
seremos governados por tais pessoas na escola. Perderemos o direito à
autoridade na escola ante as crianças malcriadas e os pais a quem elas
controlam.
Terceiro, há o fato da covardia moral. Tratar com problemas
difíceis geralmente é doloroso, porém as conseqüências da covardia
moral são muito mais dolorosas.
O pecado é o problema básico do homem. Não podemos evitar
tratar com ele em nós mesmos, ou em qualquer área da vida. A escola
cristã deve sempre estar preparada para confrontá-lo.



Tradução: Márcio Santana SobrinhoFonte: The Philosophy of the Christian Curriculum, p. 124-127