Rousas J. Rushdoony
Se partirmos de premissas falsas, sempre falsificaremos e
interpretaremos mal todos os problemas que enfrentamos. Em lugar de
resolver nossos problemas, os agravaremos. As escolas estatais são
cada vez menos competentes em lidar com os problemas do
comportamento delinqüente porque raciocinam a partir de premissas
falsas. Como resultado, não conseguem compreender a natureza do
problema que enfrentam.
No final dos anos 1960, o Comitê sobre a Violência do
Departamento de Psiquiatria da Escola de Medicina da Universidade de
Standford estudou o problema da violência no mundo moderno. Nem
uma só vez em seu simpósio sobre Violência e a Batalha pela Existência
o pecado foi considerado a causa primária da violência. Ao invés disso,
em termos evolutivos, encararam a violência como um aspecto da luta
do homem por adaptar-se e relacionar-se com o meio. Na verdade,
viram como um fator “significativo”, como algo que contribuía para a
violência social, todas aquelas restrições relacionadas ao “castigo da
relação sexual extramarital”. Em outras palavras, os padrões morais
cristãos promoviam a violência!1
Tais opiniões, atribuindo a delinqüência e a violência a fatores
ambientais ou evolutivos, são bastante freqüentes. Um cristão professo,
diretor de uma escola estatal, me disse que toda a delinqüência tinha
sua origem no ambiente e na herança genética. Quando citei numerosos
exemplos que desmentiam sua tese, incluindo o exemplo de uma jovem
nascida em uma família absurdamente depravada e que foi violentada
várias vezes por membros ou amigos da família quando era criança e
ainda adolescente, e de como chegou a se tornar uma mulher e mãe
cristã feliz após sua conversão, ele me disse que era “ilegítimo”
introduzir a teologia nos problemas sociais! Se a palavra e o poder de
Deus não governam todas as áreas da vida, então Ele não é Deus.
O problema primário de toda a delinqüência em qualquer idade
sempre é o pecado. Em qualquer caso de pecado impenitente, a Bíblia
dá à igreja uma responsabilidade bem definida: a excomunhão.
...Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda?
Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de
fato, sem fermento. (1Co. 5:6-7)
Paulo está descrevendo aqui a necessidade de expulsar, pela autoridade
de Deus, os delinqüentes, os pecadores. Suas palavras se aplicam a
todas as instituições cristãs, à escola bem como à família. Um costume
do judaísmo ortodoxo, agora menos praticado, que tem profundas
raízes no Antigo Testamento e na família, celebrava um funeral para
qualquer membro apóstata, e, a menos que ele se arrependesse, era
considerado morto para todos os efeitos práticos.
Várias escolas cristãs andam tropegamente por causa de sua
desobediência à Escritura neste ponto. Por não expulsarem o
impenitente, permitem a corrupção de todo o corpo estudantil.
Ademais, é importante que reconheçamos o que significa
arrependimento na Bíblia. A palavra em grego é metanoia; significa uma
mudança de rumo, de vida, de direção, de pensamento e de conduta. O
arrependimento na Bíblia não é uma questão de dizer somente “me
arrependo” ou “lamento”, mas significa uma mudança total de vida, do
pecado e impiedade para a fé e a justiça.2
A instrução em uma escola cristã se efetiva em termos dessa vida
de fé, justiça e serviço a Deus por meio desse conhecimento. Há um
lugar legítimo para os filhos dos incrédulos na escola cristã, porém não
há lugar para uma criança delinqüente, não importa de que lar tenha
vindo. Em alguns casos, a criança pecaminosa provém de um professor
da própria escola. Em todos e em cada um dos casos, a integridade da
escola requer um tratamento firme do problema, e se necessário, a
expulsão.
A desculpa mais comum dada pelos pais é que, de alguma
maneira, a culpa é do professor e que “o professor não compreende
meu filho”. É preciso lidar com estes argumentos de maneira firme.
Primeiro, nenhum professor é perfeito, e portanto impecável ao tratar
com uma criança. Isto está fora de questão. O estudante tem a
responsabilidade de ser obediente e receptivo na sala de aula,
independentemente do professor, e o pai tem a obrigação de exigir isto
de seu filho. Segundo, não é obrigação do professor “compreender” a
criança mas, sim, instruí-la. Só uns poucos professores me
compreenderam, se é que algum o fez, e às vezes isso era doloroso.
Contudo, todos me ensinaram, e fui eu quem saiu ganhando.
Além disso, os pais necessitam ouvir, de forma firme mas amável,
que há uma diferença entre defender seu filho e ajudá-lo. Muitas vezes
se defende melhor uma criança do pecado castigando-a. Ajudamos mais
aos nossos filhos quando lhes dirigimos para verem que devem se
conformar ao padrão de Deus, não ao do mundo ou a padrões pessoais.
A escola, a criança e os pais sofrem quando não se trata com o pecado
de uma criança a partir das Escrituras. Um jovem com um Q.I. elevado,
nascido de pais brilhantes, vive hoje com um soldo muito precário que
exige que sua esposa trabalhe fora. Ele foi expulso da universidade.
Seus pais, devido à proeminência que tinham nos círculos cristãos e à
tola obstinação em defender seu filho, nunca estiveram dispostos a
enfrentar a verdade com respeito a ele, e quase nenhum professor de
nenhuma escola cristã se atreveu a fazê-lo. O que se atreveu a fazê-lo
não recebeu apoio por parte do diretor nem do pastor. O resultado foi
uma vida desperdiçada, dois pais amargurados, e uma quantidade de
anos de sofrimento para alguns professores. Neste caso, o pecado do
filho foi agravado pelos pais, professores, diretor e pelo pastor. Todos
pecaram contra o Senhor, e contra outras crianças, cuja aprendizagem
foi prejudicada por um garoto malcriado. Pecamos quando não
enfrentamos o pecado como pecado. Pecamos quando fazemos vista
grossa para o pecado e o chamamos com nomes como “hiperatividade”.
O pecado de uma criança não deve ser ocasião para o pecado de todo o
corpo da escola.
O Senhor não abençoa nossos pecados, mas nossa fidelidade. Foi
o pecado de Adão o que conduziu à queda e ao sofrimento do homem.
O pecado ainda é nosso inimigo primário. Uma escola cristã não deve
ser delinqüente ao tratar com o problema do pecado.
As razões mais comuns para justificar o fracasso de não tratar
com o pecado dos estudantes são, primeira, o medo de perdas
financeiras. A perda financeira pode ser real, porém a questão tem a ver
com prioridades. O que é mais importante: o rendimento financeiro, ou
a benção do Senhor e o bem-estar da escola? Ademais, a escola que
tolera o pecado sofrerá financeiramente no longo prazo.
Segundo, o medo dos pais, geralmente por serem pessoas de
renome na comunidade. Se formos governados por tal temor, então
seremos governados por tais pessoas na escola. Perderemos o direito à
autoridade na escola ante as crianças malcriadas e os pais a quem elas
controlam.
Terceiro, há o fato da covardia moral. Tratar com problemas
difíceis geralmente é doloroso, porém as conseqüências da covardia
moral são muito mais dolorosas.
O pecado é o problema básico do homem. Não podemos evitar
tratar com ele em nós mesmos, ou em qualquer área da vida. A escola
cristã deve sempre estar preparada para confrontá-lo.
Tradução: Márcio Santana SobrinhoFonte: The Philosophy of the Christian Curriculum, p. 124-127
Este blog, constará de artigos como também de situações do dia a dia que passam despercebidas,mas que contém valores para nós. vale a pena conferir!
segunda-feira, 4 de maio de 2009
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Seis componentes do arrependimento
Publicado por Felipe Sabino em 6 de fevereiro de 2009 – 15:12
Thomas Watson
O arrependimento é uma graça do Espírito de Deus por meio da qual um pecador é humilhado em seu íntimo e transformado em seu exterior. A fim de proporcionar melhor entendimento, saiba que o arrependimento é um remédio espiritual formado de seis componentes especiais… Se um for deixado fora, o arrependimento perde o seu poder.
Componente 1: Percepção do pecado. A primeira parte do remédio de Cristo são olhos abertos (At 26.18). Este é um dos fatos importantes a observarmos no arrependimento do filho pródigo: ele caiu em si (Lc 15.17). Ele se viu como pecador e nada mais do que um pecador. Antes que um homem venha a Cristo, ele tem primeiramente de vir a si mesmo. Em sua descrição de arrependimento, Salomão considerou isto como o primeiro componente: “Caírem em si” (1 Rs 8.47). Uma pessoa deve, antes de tudo, reconhecer e considerar o que é o seu pecado e conhecer a praga de seu coração, antes que seja devidamente humilhado por ela. A primeira coisa que Deus criou foi a luz. Portanto, a primeira coisa que deve haver em uma pessoa arrependida é a iluminação. “Agora, sois luz no Senhor” (Ef 5.8). Os olhos são feitos tanto para ver como para chorar. Antes de lamentarmos pelo pecado, temos de vê-lo. Disso, podemos inferir que, onde não percepção do pecado, não pode haver arrependimento. Muitos que acham falhas nos outros não vêem nenhum erro em si mesmos… Pessoas são vendadas por ignorância e amor próprio. Por isso, não vêem o que deforma a sua alma. O Diabo faz com elas como o falcoeiro faz à sua ave: ele as cega e as leva encapuzadas ao inferno.
Componente 2: Tristeza pelo pecado. “Suporto tristeza por causa do meu pecado” (Sl 38.18). Ambrósio chamava essa tristeza de amargura da alma. A palavra hebraica que se traduz por ficar triste significa “ter a alma, por assim dizer, crucificada”. Isso precisa estar presente no verdadeiro arrependimento. “Olharão para aquele a quem traspassaram… e chorarão” (Zc 12.10), como se sentissem os cravos da cruz penetrando o seu lado. Uma mulher pode esperar ter um filho sem dores, assim como alguém pode esperar arrepender-se sem tristeza. Aquele que crê sem duvidar, põe sob suspeita a sua fé; aquele que se arrepende sem entristecer-se nos deixa incertos de seu arrependimento… Esta tristeza pelo pecado não é superficial; é uma agonia santa. Nas Escrituras, ela é chamada de quebrantamento de coração: “Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus” (Sl 51.17); um rasgamento do coração: “Rasgai o vosso coração” (Jl 2.13). As expressões bater no peito (Jr 31.19; Lc 18.13), cingir o cilício (Is 22.12), arrancar os cabelos (Ed 9.3) - todas essas expressões são apenas sinais exteriores de tristeza.
Essa tristeza implica (1) tornar a Cristo precioso. Oh! quão precioso é o Salvador para uma alma atribulada! Agora, Cristo é, de fato, Cristo; e a misericórdia é realmente misericórdia. Enquanto o coração não estiver repleto de compunção, ele não estará pronto para o arrependimento. Quão bem-vindo é um cirurgião para um homem que sangra por suas feridas! (2) Implica repelir o pecado. O pecado gera tristeza, e a tristeza mata o pecado… A água salgada das lágrimas mata o verme da consciência. (3) Implica preparar-se para receber firme consolo. “Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão” (Sl 126.5). O penitente tem uma semeadura de lágrimas, mas uma colheita deliciosa. O arrependimento rompe os abscessos do pecado, e, em seguida, a alma fica tranqüila… O ato de Deus em afligir a alma por causa do pecado é como o agitar da água que trazia cura, no tanque (Jo 5.4)
Contudo, nem toda tristeza evidencia o verdadeiro arrependimento… o que é esse entristecer piedoso? Há seis descrições:
1. A verdadeira tristeza espiritual é interior. É interior em duas maneiras: (1) é uma tristeza de coração. A tristeza dos hipócritas evidencia-se somente em sua face. “Desfiguram o rosto” (Mt 6.16). Mostram um rosto melancólico, mas a tristeza deles não vai além disso, como o orvalho que umedece a folha, mas não penetra a raiz. O arrependimento de Acabe foi uma exibição exterior. Seus vestidos foram rasgados, mas não o seu espírito (1 Rs 21.27). A tristeza segundo Deus avança mais além; é como uma veia que sangra internamente. O coração sangra por causa do pecado - “Compungiu-se-lhes o coração” (At 2.37). Assim como o coração tem a parte principal no ato de pecar, o mesmo deve acontecer no caso do entristecer-se. Paulo lamentava por causa da lei em seus membros (Rm 7.23). Aquele que lamenta verdadeiramente o pecado se entristece por conta das incitações do orgulho e da concupiscência. Ele se entristece por causa da “raiz de amargura”, embora ela nunca prospere até ao ponto de levá-lo a agir. Um homem ímpio pode sentir-se atribulado por pecados escandalosos; um verdadeiro convertido lamenta os pecados do coração.
2. A tristeza espiritual é sincera. É a tristeza pela ofensa, e não pela punição. A lei de Deus foi infringida, e seu amor, abusado. Isso leva a alma às lágrimas. Uma pessoa pode ficar triste e não se arrepender. Um ladrão fica triste quando é apanhado, mas não por causa do roubo, e sim porque tem de sofrer a pena… A tristeza piedosa se expressa principalmente por causa da transgressão contra Deus. Portanto, se não houvesse uma consciência a ferir, uma diabo a acusar, um inferno para servir de castigo, a alma ainda se sentiria triste por causa da ofensa praticada contra Deus… Oh! que eu não ofenda o meu bom Deus, nem entristeça o meu Consolador! Isso parte o meu coração!…
3. A tristeza espiritual Deus é repleta de confiança. É mesclada com fé… A tristeza bíblica afundará o coração, se a roldana da fé não o erguer. Assim como o nosso pecado está sempre diante de Deus, assim também a promessa de Deus tem de estar sempre diante de nós…
4. A tristeza espiritual é uma grande tristeza. “Naquele dia, será grande o pranto em Jerusalém, como o pranto de Hadade-Rimom” (Zc 12.11). Dois sóis se puserem no dia em que Josias morreu, e houve um enorme lamento fúnebre. A tristeza pelo pecado deve chegar a esse nível.
5. A tristeza espiritual é, em alguns casos, acompanhada de restituição. Aquele que, por injustiça, errou contra outrem, em seus bens, lidando com fraude, deve em sã consciência realizar a compensação. Há um mandamento claro quanto a isso: “Confessará o pecado que cometer; e, pela culpa, fará plena restituição, e lhe acrescentará a sua quinta parte, e dará tudo àquele contra quem se fez culpado” (Nm 5.7). Por isso, Zaqueu fez restituição: “Se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais” (Lc 19.8).
6. A tristeza espiritual é permanente. Não são algumas lágrimas derramadas ocasionalmente que servirão. Alguns derramarão lágrimas ao ouvirem um sermão, mas isso é como uma chuva de abril - logo acaba - ou como uma veia aberta e fechada novamente. A verdadeira tristeza tem de ser habitual. Ó cristão, a doença de sua alma é crônica, e a recaída, freqüente. Portanto, você tem de tratar-se com remédio continuamente, por meio do arrependimento. Essa é a tristeza “segundo Deus”.
Componente 3: Confissão de pecado. A tristeza é um sentimento tão forte, que terá expressões. Suas expressões são lágrimas nos olhos e confissão nos lábios. “Os da linhagem de Israel… puseram-se em pé e fizeram confissão dos seus pecados” (Ne 9.2). Gregório de Nazianzo chamou a confissão de “um bálsamo para a alma ferida”.
A confissão é auto-acusadora. “Eu é que pequei” (2 Sm 24.17)… E a verdade é que por meio desta auto-acusação impedimos Satanás de acusar-nos. Em nossas confissões, nos identificamos com orgulho, infidelidade e paixão. Assim, quando Satanás, chamado de acusador dos irmãos, lançar essas coisas contra nós, Deus lhe replicará: “Eles já acusaram a si mesmos. Então, Satanás, você está destituído de motivos legítimos; suas acusações surgiram muito tarde…” Agora, ouça o que diz o apóstolo Paulo: “Se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados” (1 Co 11.31).
Entretanto, homens ímpios, como Judas e Saul, não confessaram seus pecados? Sim, mas as suas confissões não eram verdadeiras. Para que a confissão de pecado seja correta e genuína, estas… qualificações precisam estar presentes:
1. A confissão tem de ser espontânea. Tem de surgir como a água que brota do manancial, livremente. A confissão do ímpios é obtida à força, como a confissão de um homem sob tortura. Quando uma faísca da ira de Deus atinge a consciência dos ímpios ou estão sob o temor da morte, eles se prostrarão em confissão… Mas a verdadeira confissão flui dos lábios tal como a mirra jorra da árvore ou o mel da colméia, espontaneamente…
2. A confissão tem ocorrer com contrição. O coração precisa ressentir profundamente o pecado. As confissões de um homem natural procede de seu íntimo assim como uma água que passa por um cano. Elas não o afetam de maneira alguma. Mas a confissão verdadeira deixa impressões que pungem o coração. Ao confessar seus pecados, a alma de Davi sentiu-se sobrecarregada: “Já se elevam acima de minha cabeça as minhas iniqüidades; como fardos pesados, excedem as minhas forças” (Sl 38.4). Uma coisa é confessar o pecado, outra coisa é sentir o pecado.
3. A confissão tem de ser sincera. Nosso coração precisa estar em harmonia com a confissão. O hipócrita confessa o pecado, mas o ama, assim como um ladrão que confessa os bens roubados e continua a amar o roubo. Quantos confessam o orgulho e a cobiça, com seus lábios, mas se deleitam neles ocultamente… Um verdadeiro cristão é mais honesto. Seu coração anda em harmonia com usa língua. Ele é convencido dos pecados que confessa e detesta os pecados dos quais é convencido.
4. Na confissão verdadeira, o crente especifica o pecado. O ímpio reconhece que é um pecador como todos os outros. Ele confessa o pecado de maneira geral… Um verdadeiro convertido reconhece seus pecados específicos. Ele se comporta à semelhança de uma pessoa enferma que vai ao médico e lhe mostra as feridas, dizendo: “Levei um corte na cabeça, recebi um tiro no braço”. O pecador entristecido confessa as diversas imperfeições de sua alma… Por meio de uma inspeção diligente de nosso coração, podemos achar alguns pecados específicos que tratamos com indulgência. Confessemos com lágrimas esses pecados, indicando-os pelo nome.
5. Um pessoa verdadeiramente arrependida confessa o pecado em sua fonte. Ela reconhece a contaminação de sua natureza. O pecado de nossa natureza não é somente uma falta do bem, mas também uma infusão do mal… Nossa natureza é um abismo e uma fonte de todo mal, dos quais procedem os escândalos que infestam o mundo. É essa depravação de natureza que envenena nossas coisas santas. Isso traz os juízos de Deus e paralisa em sua origem as nossas misericórdias. Oh! Confesse o pecado em sua fonte!…
Componente 4: Vergonha pelo pecado. O quarto componente no arrependimento é a vergonha. “Para que… se envergonhe das suas iniqüidades” (Ez 43.10). O envergonhar-se é a força da virtude. Quando o coração se enegrece por causa do pecado, a graça faz o rosto envergonhar-se com rubor - “Estou confuso e envergonhado, para levantar a ti a face” (Ed 9.6). O filho pródigo, arrependido, ficou tão envergonhado de seus excessos que se julgava indigno de ser, outra vez, chamado filho (Lc 15.21). O arrependimento causa um acanhamento santo. Se Cristo não estivesse no coração do pecador, não haveria tanta vergonha se expressando no rosto. Há… algumas considerações sobre o pecado que nos causa vergonha:
1. Todo pecado nos torna culpados, e a culpa nos deixa envergonhados.
2. Em todo pecado, há muita ingratidão. E essa é a razão da vergonha. Abusar da bondade de Deus, como isso nos envergonha!… Ingratidão é um pecado tão grave, que Deus mesmo se admira dele (Is 1.2).
3. O pecado mostra o que somos, e isso nos causa vergonha. O pecado nos rouba as vestes de santidade. E nos deixa destituídos de pureza, deformados aos olhos de Deus; e isso nos envergonha…
4. Nossos pecados expuseram Cristo à vergonha. E não nos envergonharemos deles? Vestimos a púrpura; não vestiremos o carmesim?
5. Aquilo que nos deixa envergonhados é o fato de que os pecados que cometemos são piores do que os pecados dos incrédulos. Agimos contra a luz que possuímos.
6. Nossos pecados são piores do que os pecados dos demônios. Os anjos caídos nunca pecaram contra o sangue de Cristo. Cristo não morreu por eles… Com certeza, se sobrepujamos o pecado dos demônios, isso deve nos causar muita vergonha.
Componente 5: Ódio pelo pecado. O quinto componente do arrependimento é o ódio pelo pecado. Os eruditos distinguem dois tipos de ódio: o ódio das iniqüidades e o ódio da inimizade.
Primeiramente, há um ódio ou abominação das iniqüidades. “Tereis nojo de vós mesmos por causa das vossas iniqüidades e das vossas abominações” (Ez 36.31). Um cristão verdadeiramente arrependido é alguém que detesta o pecado. Se uma pessoa detesta aquilo que faz seu estômago adoecer, ela deve, com muito mais intensidade, detestar aquilo que deixa enferma a sua consciência. É mais fácil abominar o pecado do que deixá-lo… Não amamos a Cristo enquanto não odiamos o pecado. Nuca anelamos o céu enquanto não detestamos o pecado.
Em segundo, há um ódio da inimizade. Não há melhor maneira de descobrir vida do que por meio do movimento. Os olhos se movem, o pulso bate. Portanto, para constatar o arrependimento, não há sinal melhor do que uma antipatia santa para com o pecado… O arrependimento correto começa no amor a Deus e termina no ódio ao pecado.
Como podemos discernir o verdadeiro ódio para com o pecado?
1. Quando a pessoa se mantém resoluta contra o pecado. A língua lamenta amargamente o pecado, e o coração o odeia, de modo que, embora o pecado se apresente de forma atraente, nós o achamos detestável e o abominados com ódio mortal, sem levarmos em conta a sua aparência agradável… O diabo pode vestir e disfarçar o pecado com prazer e proveito, mas um verdadeiro penitente, que tem ódio secreto pelo pecado, sente repulsa e não se envolverá nele.
2. O verdadeiro ódio pelo pecado é abrangente. Isso se aplica a dois aspectos: no que diz respeito às faculdades e ao objeto. (a) O ódio pelo pecado é abrangente no que concerne às faculdades da alma, ou seja, há um desgosto para com o pecado não somente no juízo, mas também na vontade e nas afeições. Há alguns que são convencidos de que o pecado é maligno e, em seu juízo, têm uma aversão para com ele. Mas acham-no agradável e têm satisfação íntima nele. Nesse caso, há um desprazer do pecado no juízo e um aceitação dele nas afeições. No verdadeiro arrependimento, o ódio pelo pecado está presente em todas as faculdades da alma; não somente no intelecto, mas, principalmente, na vontade. “Não faço o que prefiro, e sim o que detesto” (Rm 7.15). Paulo não era livre do pecado, mas a sua vontade se posicionava contra o pecado. (b) O ódio pelo pecado é abrangente no que concerne ao objeto. Aquele que odeia um pecado odeia todos… Os hipócritas odeiam alguns pecados que mancham sua reputação, mas o verdadeiro convertido odeia todos os pecados: os pecados que produzem vantagem, os pecados resultantes de nossas inclinações naturais, as próprias instigações da corrupção. Paulo odiava as obras do pecado (Rm 7.23).
3. O verdadeiro ódio pelo pecado se manifesta contra o pecado em todas as suas formas. Um coração santo detesta o pecado por causa de sua contaminação natural. O pecado deixa uma mancha na alma. Uma pessoa regenerada aborrece o pecado não somente por causa da maldição, mas também por causa do contágio. Ele odeia essa serpente não somente por causa de sua picada, mas também por causa de seu veneno. Abomina o pecado não somente por causa do inferno, mas como o próprio inferno.
4. O verdadeiro ódio pelo pecado é implacável. O cristão genuíno nunca mais se conciliará com o pecado. A ira pode experimentar conciliação, porém o ódio não pode experimentá-la…
5. Onde há verdadeiro ódio pelo pecado, nos opomos ao pecado em nós mesmos e nos outros. A igreja de Éfeso não podia suportar aqueles que eram maus (Ap 2.2). Paulo repreendeu arduamente Pedro por causa de sua dissimulação, embora este fosse um apóstolo. Com insatisfação santa, Cristo expulsou os cambistas do templo (Jo 2.15). Ele não tolerou que o templo sofresse uma mudança. Neemias repreendeu os nobres por sua usura (Ne 5.7) e pela profanação do sábado (Ne 13.17). Aquele que odeia o pecado não suportará a iniqüidade em sua família - “Não há de ficar em minha casa o que usa de fraude” (Sl 101.7). Que vergonha se manifesta quando os magistrados mostram força de espírito em suas paixões e nenhum heroísmo em suprimir o erro! Aqueles que não tem qualquer antipatia para com o pecado não conhecem o arrependimento. O pecado está neles como o veneno está em uma serpente e, por ser natural, lhe proporciona deleite.
Quão distantes estão do arrependimento aqueles que, ao invés de odiarem o pecado, amam-no! Para os santos, o pecado é um espinho nos olhos; para os ímpios, é uma coroa na cabeça - “Que direito tem na minha casa a minha amada, ela que cometeu vilezas? Acaso, ó amada, votos e carnes sacrificadas poderão afastar de ti o mal? Então, saltarias de prazer” (Jr 11.15). Amar o pecado é pior do que praticá-lo. Um homem bom pode precipitar-se cair em uma atitude pecaminosa, mas amar o pecado é desesperador. O que faz um porco amar o revolver-se na lama? O que faz um demônio amar aquilo que se opõe a Deus? Amar o pecado mostra que a vontade está no pecado; e, quanto mais a vontade estiver no pecado, tanto maior ele será. A obstinação faz com que não haja mais purificação para o pecado (Hb 10.26). Oh! quantos existem que amam o fruto proibido! Amam as imprecações e os adultérios. Amam o pecado e odeiam a repreensão… Portanto, quando os homens amam o pecado, apegam-se àquilo que será a sua morte e brincam com a condenação, isso indica que “o coração dos homens está cheio de maldade” (Ec 9.3). Isso nos persuade a mostrar nosso arrependimento por meio de um ódio amargo para com o pecado…
Componente 6: Converter-se do pecado. O sexto componente no arrependimento é converter-se do pecado… Esse converter-se é chamado de abandonar o pecado (Is 55.7), tal como um homem que abandona a companhia de um ladrão ou de um feiticeiro. É chamado de lançar para longe o pecado (Jó 11.14), como Paulo lançou de si aquela víbora, atirando-a ao fogo (At 28.5). Morrer para o pecado é a vida do arrependimento. No mesmo dia em que o crente se converte do pecado, deve se regozijar com um gozo eterno. Os olhos devem fugir de vislumbres impuros. O ouvido tem de fugir dos escárnios. A língua, do praguejamento. As mãos, dos subornos. Os pés, dos caminho das meretrizes. E alma, do amor à impiedade.
Esse converter-se do pecado implica uma mudança notável. Converter-se do pecado é tão visível, que os outros podem percebê-lo. Por isso, é chamado de uma mudança das trevas para a luz (Ef 5.8). Paulo, depois de ter recebido a visão celestial, ficou tão diferente, que todos se admiraram da mudança (At 9.12). O arrependimento transformou o carcereiro em um enfermeiro e médico (At 16.33). Ele cuidou dos apóstolos, lavou-lhes as feridas e serviu-lhes comida. Um navio se dirige ao leste; e o vento muda seu rumo para o oeste. De modo semelhante, um homem se encaminhava para o inferno, mas o vento contrário do Espírito soprou, mudou o seu rumo e o fez andar em direção ao céu… Essa mudança visível que o arrependimento produz em uma pessoa é como se outra alma se abrigasse no mesmo corpo.
Para identifica corretamente o converter-se do pecado, essas poucas coisas são necessárias:
1. Tem de haver um volver-se sinceramente do pecado. O coração é o primum vivens, a primeira coisa que vive. E tem de ser o primum vertens, a primeira coisa que se volve. O coração é aquilo por que o Diabo se empenha arduamente… No cristianismo, o coração é tudo. Se o coração não é convertido do pecado, ele não passa de uma mentira… Deus quer todo o coração convertido do pecado. O verdadeiro arrependimento não pode ter reservas nem outros ocupantes.
2. Tem de haver um volver-se de todo pecado. “Deixe o perverso o seu caminho” (Is 55.7). Uma pessoa verdadeiramente arrependida abandona o caminho do pecado. Ela deixa todo pecado… Aquele que esconde um subversivo em sua casa é um traidor da nação. E aquele que satisfaz um pecado é um hipócrita traiçoeiro.
3. Tem de haver um volver-se do pecado por motivos espirituais. Um homem pode restringir seus atos de pecados e não converter-se do pecado da maneira correta. Atos de pecados podem ser restringidos por temor ou desígnio, mas uma pessoa verdadeiramente arrependida deixa o pecado com base em um princípio espiritual, ou seja, o amor de Deus… Três homens perguntaram um ao outro o que os fizera abandonar o pecado. Um disse: “Acho que são as alegrias do céu”. Outro respondeu: “Acho que são os tormentos do inferno”. Mas o terceiro disse: “Acho que é o amor de Deus; e isso ainda me faz abandonar o pecado. Como eu ofenderia o amor de Deus?”
Extraído de The Doctrine of Repetance, reimpresso por The Banner of Truth Trust.Fonte: Sítio da Editora Fiel
Thomas Watson
O arrependimento é uma graça do Espírito de Deus por meio da qual um pecador é humilhado em seu íntimo e transformado em seu exterior. A fim de proporcionar melhor entendimento, saiba que o arrependimento é um remédio espiritual formado de seis componentes especiais… Se um for deixado fora, o arrependimento perde o seu poder.
Componente 1: Percepção do pecado. A primeira parte do remédio de Cristo são olhos abertos (At 26.18). Este é um dos fatos importantes a observarmos no arrependimento do filho pródigo: ele caiu em si (Lc 15.17). Ele se viu como pecador e nada mais do que um pecador. Antes que um homem venha a Cristo, ele tem primeiramente de vir a si mesmo. Em sua descrição de arrependimento, Salomão considerou isto como o primeiro componente: “Caírem em si” (1 Rs 8.47). Uma pessoa deve, antes de tudo, reconhecer e considerar o que é o seu pecado e conhecer a praga de seu coração, antes que seja devidamente humilhado por ela. A primeira coisa que Deus criou foi a luz. Portanto, a primeira coisa que deve haver em uma pessoa arrependida é a iluminação. “Agora, sois luz no Senhor” (Ef 5.8). Os olhos são feitos tanto para ver como para chorar. Antes de lamentarmos pelo pecado, temos de vê-lo. Disso, podemos inferir que, onde não percepção do pecado, não pode haver arrependimento. Muitos que acham falhas nos outros não vêem nenhum erro em si mesmos… Pessoas são vendadas por ignorância e amor próprio. Por isso, não vêem o que deforma a sua alma. O Diabo faz com elas como o falcoeiro faz à sua ave: ele as cega e as leva encapuzadas ao inferno.
Componente 2: Tristeza pelo pecado. “Suporto tristeza por causa do meu pecado” (Sl 38.18). Ambrósio chamava essa tristeza de amargura da alma. A palavra hebraica que se traduz por ficar triste significa “ter a alma, por assim dizer, crucificada”. Isso precisa estar presente no verdadeiro arrependimento. “Olharão para aquele a quem traspassaram… e chorarão” (Zc 12.10), como se sentissem os cravos da cruz penetrando o seu lado. Uma mulher pode esperar ter um filho sem dores, assim como alguém pode esperar arrepender-se sem tristeza. Aquele que crê sem duvidar, põe sob suspeita a sua fé; aquele que se arrepende sem entristecer-se nos deixa incertos de seu arrependimento… Esta tristeza pelo pecado não é superficial; é uma agonia santa. Nas Escrituras, ela é chamada de quebrantamento de coração: “Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus” (Sl 51.17); um rasgamento do coração: “Rasgai o vosso coração” (Jl 2.13). As expressões bater no peito (Jr 31.19; Lc 18.13), cingir o cilício (Is 22.12), arrancar os cabelos (Ed 9.3) - todas essas expressões são apenas sinais exteriores de tristeza.
Essa tristeza implica (1) tornar a Cristo precioso. Oh! quão precioso é o Salvador para uma alma atribulada! Agora, Cristo é, de fato, Cristo; e a misericórdia é realmente misericórdia. Enquanto o coração não estiver repleto de compunção, ele não estará pronto para o arrependimento. Quão bem-vindo é um cirurgião para um homem que sangra por suas feridas! (2) Implica repelir o pecado. O pecado gera tristeza, e a tristeza mata o pecado… A água salgada das lágrimas mata o verme da consciência. (3) Implica preparar-se para receber firme consolo. “Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão” (Sl 126.5). O penitente tem uma semeadura de lágrimas, mas uma colheita deliciosa. O arrependimento rompe os abscessos do pecado, e, em seguida, a alma fica tranqüila… O ato de Deus em afligir a alma por causa do pecado é como o agitar da água que trazia cura, no tanque (Jo 5.4)
Contudo, nem toda tristeza evidencia o verdadeiro arrependimento… o que é esse entristecer piedoso? Há seis descrições:
1. A verdadeira tristeza espiritual é interior. É interior em duas maneiras: (1) é uma tristeza de coração. A tristeza dos hipócritas evidencia-se somente em sua face. “Desfiguram o rosto” (Mt 6.16). Mostram um rosto melancólico, mas a tristeza deles não vai além disso, como o orvalho que umedece a folha, mas não penetra a raiz. O arrependimento de Acabe foi uma exibição exterior. Seus vestidos foram rasgados, mas não o seu espírito (1 Rs 21.27). A tristeza segundo Deus avança mais além; é como uma veia que sangra internamente. O coração sangra por causa do pecado - “Compungiu-se-lhes o coração” (At 2.37). Assim como o coração tem a parte principal no ato de pecar, o mesmo deve acontecer no caso do entristecer-se. Paulo lamentava por causa da lei em seus membros (Rm 7.23). Aquele que lamenta verdadeiramente o pecado se entristece por conta das incitações do orgulho e da concupiscência. Ele se entristece por causa da “raiz de amargura”, embora ela nunca prospere até ao ponto de levá-lo a agir. Um homem ímpio pode sentir-se atribulado por pecados escandalosos; um verdadeiro convertido lamenta os pecados do coração.
2. A tristeza espiritual é sincera. É a tristeza pela ofensa, e não pela punição. A lei de Deus foi infringida, e seu amor, abusado. Isso leva a alma às lágrimas. Uma pessoa pode ficar triste e não se arrepender. Um ladrão fica triste quando é apanhado, mas não por causa do roubo, e sim porque tem de sofrer a pena… A tristeza piedosa se expressa principalmente por causa da transgressão contra Deus. Portanto, se não houvesse uma consciência a ferir, uma diabo a acusar, um inferno para servir de castigo, a alma ainda se sentiria triste por causa da ofensa praticada contra Deus… Oh! que eu não ofenda o meu bom Deus, nem entristeça o meu Consolador! Isso parte o meu coração!…
3. A tristeza espiritual Deus é repleta de confiança. É mesclada com fé… A tristeza bíblica afundará o coração, se a roldana da fé não o erguer. Assim como o nosso pecado está sempre diante de Deus, assim também a promessa de Deus tem de estar sempre diante de nós…
4. A tristeza espiritual é uma grande tristeza. “Naquele dia, será grande o pranto em Jerusalém, como o pranto de Hadade-Rimom” (Zc 12.11). Dois sóis se puserem no dia em que Josias morreu, e houve um enorme lamento fúnebre. A tristeza pelo pecado deve chegar a esse nível.
5. A tristeza espiritual é, em alguns casos, acompanhada de restituição. Aquele que, por injustiça, errou contra outrem, em seus bens, lidando com fraude, deve em sã consciência realizar a compensação. Há um mandamento claro quanto a isso: “Confessará o pecado que cometer; e, pela culpa, fará plena restituição, e lhe acrescentará a sua quinta parte, e dará tudo àquele contra quem se fez culpado” (Nm 5.7). Por isso, Zaqueu fez restituição: “Se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais” (Lc 19.8).
6. A tristeza espiritual é permanente. Não são algumas lágrimas derramadas ocasionalmente que servirão. Alguns derramarão lágrimas ao ouvirem um sermão, mas isso é como uma chuva de abril - logo acaba - ou como uma veia aberta e fechada novamente. A verdadeira tristeza tem de ser habitual. Ó cristão, a doença de sua alma é crônica, e a recaída, freqüente. Portanto, você tem de tratar-se com remédio continuamente, por meio do arrependimento. Essa é a tristeza “segundo Deus”.
Componente 3: Confissão de pecado. A tristeza é um sentimento tão forte, que terá expressões. Suas expressões são lágrimas nos olhos e confissão nos lábios. “Os da linhagem de Israel… puseram-se em pé e fizeram confissão dos seus pecados” (Ne 9.2). Gregório de Nazianzo chamou a confissão de “um bálsamo para a alma ferida”.
A confissão é auto-acusadora. “Eu é que pequei” (2 Sm 24.17)… E a verdade é que por meio desta auto-acusação impedimos Satanás de acusar-nos. Em nossas confissões, nos identificamos com orgulho, infidelidade e paixão. Assim, quando Satanás, chamado de acusador dos irmãos, lançar essas coisas contra nós, Deus lhe replicará: “Eles já acusaram a si mesmos. Então, Satanás, você está destituído de motivos legítimos; suas acusações surgiram muito tarde…” Agora, ouça o que diz o apóstolo Paulo: “Se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados” (1 Co 11.31).
Entretanto, homens ímpios, como Judas e Saul, não confessaram seus pecados? Sim, mas as suas confissões não eram verdadeiras. Para que a confissão de pecado seja correta e genuína, estas… qualificações precisam estar presentes:
1. A confissão tem de ser espontânea. Tem de surgir como a água que brota do manancial, livremente. A confissão do ímpios é obtida à força, como a confissão de um homem sob tortura. Quando uma faísca da ira de Deus atinge a consciência dos ímpios ou estão sob o temor da morte, eles se prostrarão em confissão… Mas a verdadeira confissão flui dos lábios tal como a mirra jorra da árvore ou o mel da colméia, espontaneamente…
2. A confissão tem ocorrer com contrição. O coração precisa ressentir profundamente o pecado. As confissões de um homem natural procede de seu íntimo assim como uma água que passa por um cano. Elas não o afetam de maneira alguma. Mas a confissão verdadeira deixa impressões que pungem o coração. Ao confessar seus pecados, a alma de Davi sentiu-se sobrecarregada: “Já se elevam acima de minha cabeça as minhas iniqüidades; como fardos pesados, excedem as minhas forças” (Sl 38.4). Uma coisa é confessar o pecado, outra coisa é sentir o pecado.
3. A confissão tem de ser sincera. Nosso coração precisa estar em harmonia com a confissão. O hipócrita confessa o pecado, mas o ama, assim como um ladrão que confessa os bens roubados e continua a amar o roubo. Quantos confessam o orgulho e a cobiça, com seus lábios, mas se deleitam neles ocultamente… Um verdadeiro cristão é mais honesto. Seu coração anda em harmonia com usa língua. Ele é convencido dos pecados que confessa e detesta os pecados dos quais é convencido.
4. Na confissão verdadeira, o crente especifica o pecado. O ímpio reconhece que é um pecador como todos os outros. Ele confessa o pecado de maneira geral… Um verdadeiro convertido reconhece seus pecados específicos. Ele se comporta à semelhança de uma pessoa enferma que vai ao médico e lhe mostra as feridas, dizendo: “Levei um corte na cabeça, recebi um tiro no braço”. O pecador entristecido confessa as diversas imperfeições de sua alma… Por meio de uma inspeção diligente de nosso coração, podemos achar alguns pecados específicos que tratamos com indulgência. Confessemos com lágrimas esses pecados, indicando-os pelo nome.
5. Um pessoa verdadeiramente arrependida confessa o pecado em sua fonte. Ela reconhece a contaminação de sua natureza. O pecado de nossa natureza não é somente uma falta do bem, mas também uma infusão do mal… Nossa natureza é um abismo e uma fonte de todo mal, dos quais procedem os escândalos que infestam o mundo. É essa depravação de natureza que envenena nossas coisas santas. Isso traz os juízos de Deus e paralisa em sua origem as nossas misericórdias. Oh! Confesse o pecado em sua fonte!…
Componente 4: Vergonha pelo pecado. O quarto componente no arrependimento é a vergonha. “Para que… se envergonhe das suas iniqüidades” (Ez 43.10). O envergonhar-se é a força da virtude. Quando o coração se enegrece por causa do pecado, a graça faz o rosto envergonhar-se com rubor - “Estou confuso e envergonhado, para levantar a ti a face” (Ed 9.6). O filho pródigo, arrependido, ficou tão envergonhado de seus excessos que se julgava indigno de ser, outra vez, chamado filho (Lc 15.21). O arrependimento causa um acanhamento santo. Se Cristo não estivesse no coração do pecador, não haveria tanta vergonha se expressando no rosto. Há… algumas considerações sobre o pecado que nos causa vergonha:
1. Todo pecado nos torna culpados, e a culpa nos deixa envergonhados.
2. Em todo pecado, há muita ingratidão. E essa é a razão da vergonha. Abusar da bondade de Deus, como isso nos envergonha!… Ingratidão é um pecado tão grave, que Deus mesmo se admira dele (Is 1.2).
3. O pecado mostra o que somos, e isso nos causa vergonha. O pecado nos rouba as vestes de santidade. E nos deixa destituídos de pureza, deformados aos olhos de Deus; e isso nos envergonha…
4. Nossos pecados expuseram Cristo à vergonha. E não nos envergonharemos deles? Vestimos a púrpura; não vestiremos o carmesim?
5. Aquilo que nos deixa envergonhados é o fato de que os pecados que cometemos são piores do que os pecados dos incrédulos. Agimos contra a luz que possuímos.
6. Nossos pecados são piores do que os pecados dos demônios. Os anjos caídos nunca pecaram contra o sangue de Cristo. Cristo não morreu por eles… Com certeza, se sobrepujamos o pecado dos demônios, isso deve nos causar muita vergonha.
Componente 5: Ódio pelo pecado. O quinto componente do arrependimento é o ódio pelo pecado. Os eruditos distinguem dois tipos de ódio: o ódio das iniqüidades e o ódio da inimizade.
Primeiramente, há um ódio ou abominação das iniqüidades. “Tereis nojo de vós mesmos por causa das vossas iniqüidades e das vossas abominações” (Ez 36.31). Um cristão verdadeiramente arrependido é alguém que detesta o pecado. Se uma pessoa detesta aquilo que faz seu estômago adoecer, ela deve, com muito mais intensidade, detestar aquilo que deixa enferma a sua consciência. É mais fácil abominar o pecado do que deixá-lo… Não amamos a Cristo enquanto não odiamos o pecado. Nuca anelamos o céu enquanto não detestamos o pecado.
Em segundo, há um ódio da inimizade. Não há melhor maneira de descobrir vida do que por meio do movimento. Os olhos se movem, o pulso bate. Portanto, para constatar o arrependimento, não há sinal melhor do que uma antipatia santa para com o pecado… O arrependimento correto começa no amor a Deus e termina no ódio ao pecado.
Como podemos discernir o verdadeiro ódio para com o pecado?
1. Quando a pessoa se mantém resoluta contra o pecado. A língua lamenta amargamente o pecado, e o coração o odeia, de modo que, embora o pecado se apresente de forma atraente, nós o achamos detestável e o abominados com ódio mortal, sem levarmos em conta a sua aparência agradável… O diabo pode vestir e disfarçar o pecado com prazer e proveito, mas um verdadeiro penitente, que tem ódio secreto pelo pecado, sente repulsa e não se envolverá nele.
2. O verdadeiro ódio pelo pecado é abrangente. Isso se aplica a dois aspectos: no que diz respeito às faculdades e ao objeto. (a) O ódio pelo pecado é abrangente no que concerne às faculdades da alma, ou seja, há um desgosto para com o pecado não somente no juízo, mas também na vontade e nas afeições. Há alguns que são convencidos de que o pecado é maligno e, em seu juízo, têm uma aversão para com ele. Mas acham-no agradável e têm satisfação íntima nele. Nesse caso, há um desprazer do pecado no juízo e um aceitação dele nas afeições. No verdadeiro arrependimento, o ódio pelo pecado está presente em todas as faculdades da alma; não somente no intelecto, mas, principalmente, na vontade. “Não faço o que prefiro, e sim o que detesto” (Rm 7.15). Paulo não era livre do pecado, mas a sua vontade se posicionava contra o pecado. (b) O ódio pelo pecado é abrangente no que concerne ao objeto. Aquele que odeia um pecado odeia todos… Os hipócritas odeiam alguns pecados que mancham sua reputação, mas o verdadeiro convertido odeia todos os pecados: os pecados que produzem vantagem, os pecados resultantes de nossas inclinações naturais, as próprias instigações da corrupção. Paulo odiava as obras do pecado (Rm 7.23).
3. O verdadeiro ódio pelo pecado se manifesta contra o pecado em todas as suas formas. Um coração santo detesta o pecado por causa de sua contaminação natural. O pecado deixa uma mancha na alma. Uma pessoa regenerada aborrece o pecado não somente por causa da maldição, mas também por causa do contágio. Ele odeia essa serpente não somente por causa de sua picada, mas também por causa de seu veneno. Abomina o pecado não somente por causa do inferno, mas como o próprio inferno.
4. O verdadeiro ódio pelo pecado é implacável. O cristão genuíno nunca mais se conciliará com o pecado. A ira pode experimentar conciliação, porém o ódio não pode experimentá-la…
5. Onde há verdadeiro ódio pelo pecado, nos opomos ao pecado em nós mesmos e nos outros. A igreja de Éfeso não podia suportar aqueles que eram maus (Ap 2.2). Paulo repreendeu arduamente Pedro por causa de sua dissimulação, embora este fosse um apóstolo. Com insatisfação santa, Cristo expulsou os cambistas do templo (Jo 2.15). Ele não tolerou que o templo sofresse uma mudança. Neemias repreendeu os nobres por sua usura (Ne 5.7) e pela profanação do sábado (Ne 13.17). Aquele que odeia o pecado não suportará a iniqüidade em sua família - “Não há de ficar em minha casa o que usa de fraude” (Sl 101.7). Que vergonha se manifesta quando os magistrados mostram força de espírito em suas paixões e nenhum heroísmo em suprimir o erro! Aqueles que não tem qualquer antipatia para com o pecado não conhecem o arrependimento. O pecado está neles como o veneno está em uma serpente e, por ser natural, lhe proporciona deleite.
Quão distantes estão do arrependimento aqueles que, ao invés de odiarem o pecado, amam-no! Para os santos, o pecado é um espinho nos olhos; para os ímpios, é uma coroa na cabeça - “Que direito tem na minha casa a minha amada, ela que cometeu vilezas? Acaso, ó amada, votos e carnes sacrificadas poderão afastar de ti o mal? Então, saltarias de prazer” (Jr 11.15). Amar o pecado é pior do que praticá-lo. Um homem bom pode precipitar-se cair em uma atitude pecaminosa, mas amar o pecado é desesperador. O que faz um porco amar o revolver-se na lama? O que faz um demônio amar aquilo que se opõe a Deus? Amar o pecado mostra que a vontade está no pecado; e, quanto mais a vontade estiver no pecado, tanto maior ele será. A obstinação faz com que não haja mais purificação para o pecado (Hb 10.26). Oh! quantos existem que amam o fruto proibido! Amam as imprecações e os adultérios. Amam o pecado e odeiam a repreensão… Portanto, quando os homens amam o pecado, apegam-se àquilo que será a sua morte e brincam com a condenação, isso indica que “o coração dos homens está cheio de maldade” (Ec 9.3). Isso nos persuade a mostrar nosso arrependimento por meio de um ódio amargo para com o pecado…
Componente 6: Converter-se do pecado. O sexto componente no arrependimento é converter-se do pecado… Esse converter-se é chamado de abandonar o pecado (Is 55.7), tal como um homem que abandona a companhia de um ladrão ou de um feiticeiro. É chamado de lançar para longe o pecado (Jó 11.14), como Paulo lançou de si aquela víbora, atirando-a ao fogo (At 28.5). Morrer para o pecado é a vida do arrependimento. No mesmo dia em que o crente se converte do pecado, deve se regozijar com um gozo eterno. Os olhos devem fugir de vislumbres impuros. O ouvido tem de fugir dos escárnios. A língua, do praguejamento. As mãos, dos subornos. Os pés, dos caminho das meretrizes. E alma, do amor à impiedade.
Esse converter-se do pecado implica uma mudança notável. Converter-se do pecado é tão visível, que os outros podem percebê-lo. Por isso, é chamado de uma mudança das trevas para a luz (Ef 5.8). Paulo, depois de ter recebido a visão celestial, ficou tão diferente, que todos se admiraram da mudança (At 9.12). O arrependimento transformou o carcereiro em um enfermeiro e médico (At 16.33). Ele cuidou dos apóstolos, lavou-lhes as feridas e serviu-lhes comida. Um navio se dirige ao leste; e o vento muda seu rumo para o oeste. De modo semelhante, um homem se encaminhava para o inferno, mas o vento contrário do Espírito soprou, mudou o seu rumo e o fez andar em direção ao céu… Essa mudança visível que o arrependimento produz em uma pessoa é como se outra alma se abrigasse no mesmo corpo.
Para identifica corretamente o converter-se do pecado, essas poucas coisas são necessárias:
1. Tem de haver um volver-se sinceramente do pecado. O coração é o primum vivens, a primeira coisa que vive. E tem de ser o primum vertens, a primeira coisa que se volve. O coração é aquilo por que o Diabo se empenha arduamente… No cristianismo, o coração é tudo. Se o coração não é convertido do pecado, ele não passa de uma mentira… Deus quer todo o coração convertido do pecado. O verdadeiro arrependimento não pode ter reservas nem outros ocupantes.
2. Tem de haver um volver-se de todo pecado. “Deixe o perverso o seu caminho” (Is 55.7). Uma pessoa verdadeiramente arrependida abandona o caminho do pecado. Ela deixa todo pecado… Aquele que esconde um subversivo em sua casa é um traidor da nação. E aquele que satisfaz um pecado é um hipócrita traiçoeiro.
3. Tem de haver um volver-se do pecado por motivos espirituais. Um homem pode restringir seus atos de pecados e não converter-se do pecado da maneira correta. Atos de pecados podem ser restringidos por temor ou desígnio, mas uma pessoa verdadeiramente arrependida deixa o pecado com base em um princípio espiritual, ou seja, o amor de Deus… Três homens perguntaram um ao outro o que os fizera abandonar o pecado. Um disse: “Acho que são as alegrias do céu”. Outro respondeu: “Acho que são os tormentos do inferno”. Mas o terceiro disse: “Acho que é o amor de Deus; e isso ainda me faz abandonar o pecado. Como eu ofenderia o amor de Deus?”
Extraído de The Doctrine of Repetance, reimpresso por The Banner of Truth Trust.Fonte: Sítio da Editora Fiel
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Ricardo Gondim: Não quero ser apóstolo !
Por InfoBatista - December 11th, 2008, 19:25, Categoría: General
Não quero ser apóstolo !
Pr. Ricardo Gondim
Os pastores possuem um fino senso de humor. Muitas vezes, reúnem-se e contam casos folclóricos, descrevem tipos pitorescos e narram suas próprias gafes. Riem de si mesmos e procuram extravasar na gargalhada as tensões que pesam sobre os seus ombros. Ultimamente, fazem-se piadas dos títulos que os líderes estão conferindo a si próprios. É que está havendo uma certa, digamos, volúpia em pastores se promoverem a bispos e apóstolos. Numa reunião, diz a anedota, um perguntou ao outro: "Você já é apóstolo?" O outro teria respondido: "Não, e nem quero. Meu desejo agora é ser semi-deus". Apóstolo agora está virando arroz de festa e meu ministério é tão especial que somente este título cabe a mim". Um outro chiste que corre entre os pastores é que se no livro do Apocalipse o anjo da igreja é um pastor, logo, aquele que desenvolve um ministério apostólico seria um "arcanjo".
Já decidi! Não quero ser apóstolo! O pouco que conheço sobre mim mesmo faz-me admitir, sem falsa humildade, que não eu teria condições espirituais de ser um deles. Além disso, não quero que minha ambição por sucesso ou prestígio, que é pecado, se transforme em choça.
Admito que os apóstolos constam entre os cinco ministérios locais descritos pelo apóstolo Paulo em Efésios 4.11. Não há como negar que os apóstolos foram estabelecidos por Deus em primeiro lugar, antes dos profetas, mestres, operadores de milagres, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. Mas, resigno-me contente à minha simples posição de pastor. Já que nem todos são apóstolos, nem todos profetas, nem todos mestres ou operadores de milagres, como consta na epístola aos Coríntios 12.29, parece não haver demérito em ser um mero obreiro. Meus parcos conhecimentos do grego não me permitem grandes aventuras léxicas. Mas qualquer dicionário teológico serve para ajudar a entender o sentido neotestamentário do verbete "apóstolo" ou "apostolado". Usemos a Enciclopédia Histórico-Teológico da Igreja Cristã, das Edições Vida Nova: "O uso bíblico do termo "apóstolo" é quase inteiramente limitado ao NT, onde ocorre setenta e nove vezes; dez vezes nos evangelhos, vinte e oito em Atos, trinta e oito nas epístolas e três no Apocalipse. Nossa palavra em Português, é uma transliteração da palavra grega apostolos, que é derivada de apostellein, enviar. Embora várias palavras com o significado de enviar sejam usadas no NT, expressando idéias como despachar, soltar, ou mandar embora, apostellein enfatiza os elementos da comissão – a autoridade de quem envia e a responsabilidade diante deste. Portanto, a rigor, um apóstolo é alguém enviado numa missão específica, na qual age com plena autoridade em favor de quem o enviou, e que presta contas a este".
Jesus foi chamado de apóstolo em Hebreus 3.1. Ele falava os oráculos de Deus. Os doze discípulos mais próximos de Jesus, também receberam esse título. O número de apóstolos parecia fixo, porque fazia um paralelismo com as doze tribos de Israel. Jesus se referia a apenas doze tronos na era vindoura (Mateus 19.28; cf Ap 21.14). Depois da queda de Judas, e para que se cumprisse uma profecia, ao que parece, a igreja sentiu-se obrigada, no primeiro capítulo de Atos, a preencher esse número. Mas na história da igreja, não se tem conhecimento de esforços para selecionar novos apóstolos para suceder àqueles que morreram (Atos12.2). As exigências para que alguém se qualificasse ao apostolado, com o passar do tempo, não podiam mais se cumprir: "É necessário, pois, que, dos homens que nos acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós, começando no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas, um destes se torne testemunha conosco da sua ressurreição" (Atos 2.21-22). Portanto, alguns dos melhores exegetas do Novo Testamento concordam que as listas ministeriais de I Coríntios 12 e Efésios 4 referem-se exclusivamente aos primeiros e não a novos apóstolo.
Há, entretanto, a peculiaridade do apostolado de Paulo. Uma exceção que confirma a regra. Na defesa de seu apostolado em I Coríntios 15.9, ele afirmou que foi testemunha da ressurreição (vira o Senhor na estrada de Damasco), mas reconhecia que era um abortivo (nascido fora de tempo). "Porque sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a igreja de Deus" (15.10). O testemunho de mais de dois mil anos de história é que os apóstolos foram somente aqueles doze homens que andaram com Jesus e foram comissionados por ele para serem as colunas da igreja, comunidade espiritual de Deus.
O que preocupa nos apóstolos pós-modernos é ainda mais grave. Tem a ver com a nossa natureza que cobiça o poder, que se encanta com títulos e que fez do sucesso uma filosofia ministerial. Há uma corrida frenética acontecendo nas igrejas de quem é o maior, quem está na vanguarda da revelação do Espírito Santo e quem ostenta a unção mais eficaz. Tanto que os que se afoitam ao título de apóstolo são os líderes de ministérios de grande visibilidade e que conseguem mobilizar enormes multidões. Possuem um perfil carismático, sabem lidar com massas e, infelizmente, são ricos.
Não quero ser um apóstolo porque não desejo a vanguarda da revelação. Desejo ser fiel ao leito principal do cristianismo histórico. Não quero uma nova revelação que tenha sido desapercebida de Paulo, Pedro, Tiago ou Judas.
Não quero ser apóstolo porque não quero me distanciar dos pastores simples, dos missionários sem glamour, das mulheres que oram nos círculos de oração e dos santos homens que me precederam e que não conheceram as tentações dos mega eventos, do culto espetáculo e da vã-glória da fama.
Não quero ser apóstolo, porque não acho que precisemos de títulos para fazer a obra de Deus, especialmente quando eles nos conferem estatus. Aliás, estou disposto, inclusive a abrir mão de ser chamado, pastor, se isso representar uma graduação e não uma vocação ao serviço. Não desdenho as pessoas, sinto apenas um enorme pesar em perceber que a ambiência evangélica conspira para que homens de Deus sintam-se tão atraídos a ostentação de títulos, cargos e posições. Embriagados com a exuberância de suas próprias palavras, crentes que são especiais, aceitam os aplausos que vêm dos homens e se esquecem que não foi esse o espírito que norteou o ministério de Jesus de Nazaré. Ele nos ensinou a não cobiçar títulos e a não aceitar as lisonjas humanas. Quando um jovem rico o saudou com um "Bom Mestre", rejeitou a interpelação: "Porque me chamas bom? Ninguém é bom senão um, que é Deus" (Mc 10.17-18). A mãe de Tiago e João pediu um lugar especial para os seus filhos. Jesus aproveitou o mal estar causado, para ensinar: "Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo; tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos" (Mateus 20.25-28).
Os pastores estão se esquecendo do principal. Não fomos chamados para termos ministérios bem sucedidos, mas para continuarmos o ministério de Jesus, amigo dos pecadores, compassivo com os pobres e identificado com as dores das viúvas e dos órfãos. Ser pastor não é acumular conquistas acadêmicas, não é conhecer políticos poderosos, não é ser um gerente de grandes empresas religiosas, não é pertencer aos altos graus das hierarquias religiosas. Pastorear é conhecer e vivenciar a intimidade de Deus com integridade. Pastorear é caminhar ao lado da família que acaba de enterrar um filho prematuramente e que precisa experimentar o consolo do Espírito Santo. Pastorear é ser fiel a todo o conselho de Deus; é ensinar ao povo a meditar na Palavra de Deus. Ser pastor é amar os perdidos com o mesmo amor com que Deus os ama.
Pastores, não queiram ser apóstolos, mas busquem o secreto da oração. Não ambicionem ter mega igrejas, busquem ser achados despenseiros fieis dos mistérios de Deus. Não se encantem com o brilho deste mundo, busquem ser apenas serviçais. Não alicercem seus ministérios sobre o ineditismo, busquem manejar bem a palavra da verdade; aquela mesma que Timóteo ouviu de Paulo e que deveria transmitir a homens fieis e idôneos que por sua vez instruiriam a outros. Pastores, não permitam que os seus cultos se transformem em shows. Não alimentem a natureza terrena e pecaminosa das pessoas, preguem a mensagem do Calvário.
Santo Agostinho afirmou: "O orgulho transformou anjos em demônios". Se quisermos nos parecer com Jesus, sigamos o conselho de Paulo aos filipenses: "Tende o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz" (2.5-8).
Soli Deo Gloria
Não quero ser apóstolo !
Pr. Ricardo Gondim
Os pastores possuem um fino senso de humor. Muitas vezes, reúnem-se e contam casos folclóricos, descrevem tipos pitorescos e narram suas próprias gafes. Riem de si mesmos e procuram extravasar na gargalhada as tensões que pesam sobre os seus ombros. Ultimamente, fazem-se piadas dos títulos que os líderes estão conferindo a si próprios. É que está havendo uma certa, digamos, volúpia em pastores se promoverem a bispos e apóstolos. Numa reunião, diz a anedota, um perguntou ao outro: "Você já é apóstolo?" O outro teria respondido: "Não, e nem quero. Meu desejo agora é ser semi-deus". Apóstolo agora está virando arroz de festa e meu ministério é tão especial que somente este título cabe a mim". Um outro chiste que corre entre os pastores é que se no livro do Apocalipse o anjo da igreja é um pastor, logo, aquele que desenvolve um ministério apostólico seria um "arcanjo".
Já decidi! Não quero ser apóstolo! O pouco que conheço sobre mim mesmo faz-me admitir, sem falsa humildade, que não eu teria condições espirituais de ser um deles. Além disso, não quero que minha ambição por sucesso ou prestígio, que é pecado, se transforme em choça.
Admito que os apóstolos constam entre os cinco ministérios locais descritos pelo apóstolo Paulo em Efésios 4.11. Não há como negar que os apóstolos foram estabelecidos por Deus em primeiro lugar, antes dos profetas, mestres, operadores de milagres, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. Mas, resigno-me contente à minha simples posição de pastor. Já que nem todos são apóstolos, nem todos profetas, nem todos mestres ou operadores de milagres, como consta na epístola aos Coríntios 12.29, parece não haver demérito em ser um mero obreiro. Meus parcos conhecimentos do grego não me permitem grandes aventuras léxicas. Mas qualquer dicionário teológico serve para ajudar a entender o sentido neotestamentário do verbete "apóstolo" ou "apostolado". Usemos a Enciclopédia Histórico-Teológico da Igreja Cristã, das Edições Vida Nova: "O uso bíblico do termo "apóstolo" é quase inteiramente limitado ao NT, onde ocorre setenta e nove vezes; dez vezes nos evangelhos, vinte e oito em Atos, trinta e oito nas epístolas e três no Apocalipse. Nossa palavra em Português, é uma transliteração da palavra grega apostolos, que é derivada de apostellein, enviar. Embora várias palavras com o significado de enviar sejam usadas no NT, expressando idéias como despachar, soltar, ou mandar embora, apostellein enfatiza os elementos da comissão – a autoridade de quem envia e a responsabilidade diante deste. Portanto, a rigor, um apóstolo é alguém enviado numa missão específica, na qual age com plena autoridade em favor de quem o enviou, e que presta contas a este".
Jesus foi chamado de apóstolo em Hebreus 3.1. Ele falava os oráculos de Deus. Os doze discípulos mais próximos de Jesus, também receberam esse título. O número de apóstolos parecia fixo, porque fazia um paralelismo com as doze tribos de Israel. Jesus se referia a apenas doze tronos na era vindoura (Mateus 19.28; cf Ap 21.14). Depois da queda de Judas, e para que se cumprisse uma profecia, ao que parece, a igreja sentiu-se obrigada, no primeiro capítulo de Atos, a preencher esse número. Mas na história da igreja, não se tem conhecimento de esforços para selecionar novos apóstolos para suceder àqueles que morreram (Atos12.2). As exigências para que alguém se qualificasse ao apostolado, com o passar do tempo, não podiam mais se cumprir: "É necessário, pois, que, dos homens que nos acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós, começando no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas, um destes se torne testemunha conosco da sua ressurreição" (Atos 2.21-22). Portanto, alguns dos melhores exegetas do Novo Testamento concordam que as listas ministeriais de I Coríntios 12 e Efésios 4 referem-se exclusivamente aos primeiros e não a novos apóstolo.
Há, entretanto, a peculiaridade do apostolado de Paulo. Uma exceção que confirma a regra. Na defesa de seu apostolado em I Coríntios 15.9, ele afirmou que foi testemunha da ressurreição (vira o Senhor na estrada de Damasco), mas reconhecia que era um abortivo (nascido fora de tempo). "Porque sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a igreja de Deus" (15.10). O testemunho de mais de dois mil anos de história é que os apóstolos foram somente aqueles doze homens que andaram com Jesus e foram comissionados por ele para serem as colunas da igreja, comunidade espiritual de Deus.
O que preocupa nos apóstolos pós-modernos é ainda mais grave. Tem a ver com a nossa natureza que cobiça o poder, que se encanta com títulos e que fez do sucesso uma filosofia ministerial. Há uma corrida frenética acontecendo nas igrejas de quem é o maior, quem está na vanguarda da revelação do Espírito Santo e quem ostenta a unção mais eficaz. Tanto que os que se afoitam ao título de apóstolo são os líderes de ministérios de grande visibilidade e que conseguem mobilizar enormes multidões. Possuem um perfil carismático, sabem lidar com massas e, infelizmente, são ricos.
Não quero ser um apóstolo porque não desejo a vanguarda da revelação. Desejo ser fiel ao leito principal do cristianismo histórico. Não quero uma nova revelação que tenha sido desapercebida de Paulo, Pedro, Tiago ou Judas.
Não quero ser apóstolo porque não quero me distanciar dos pastores simples, dos missionários sem glamour, das mulheres que oram nos círculos de oração e dos santos homens que me precederam e que não conheceram as tentações dos mega eventos, do culto espetáculo e da vã-glória da fama.
Não quero ser apóstolo, porque não acho que precisemos de títulos para fazer a obra de Deus, especialmente quando eles nos conferem estatus. Aliás, estou disposto, inclusive a abrir mão de ser chamado, pastor, se isso representar uma graduação e não uma vocação ao serviço. Não desdenho as pessoas, sinto apenas um enorme pesar em perceber que a ambiência evangélica conspira para que homens de Deus sintam-se tão atraídos a ostentação de títulos, cargos e posições. Embriagados com a exuberância de suas próprias palavras, crentes que são especiais, aceitam os aplausos que vêm dos homens e se esquecem que não foi esse o espírito que norteou o ministério de Jesus de Nazaré. Ele nos ensinou a não cobiçar títulos e a não aceitar as lisonjas humanas. Quando um jovem rico o saudou com um "Bom Mestre", rejeitou a interpelação: "Porque me chamas bom? Ninguém é bom senão um, que é Deus" (Mc 10.17-18). A mãe de Tiago e João pediu um lugar especial para os seus filhos. Jesus aproveitou o mal estar causado, para ensinar: "Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo; tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos" (Mateus 20.25-28).
Os pastores estão se esquecendo do principal. Não fomos chamados para termos ministérios bem sucedidos, mas para continuarmos o ministério de Jesus, amigo dos pecadores, compassivo com os pobres e identificado com as dores das viúvas e dos órfãos. Ser pastor não é acumular conquistas acadêmicas, não é conhecer políticos poderosos, não é ser um gerente de grandes empresas religiosas, não é pertencer aos altos graus das hierarquias religiosas. Pastorear é conhecer e vivenciar a intimidade de Deus com integridade. Pastorear é caminhar ao lado da família que acaba de enterrar um filho prematuramente e que precisa experimentar o consolo do Espírito Santo. Pastorear é ser fiel a todo o conselho de Deus; é ensinar ao povo a meditar na Palavra de Deus. Ser pastor é amar os perdidos com o mesmo amor com que Deus os ama.
Pastores, não queiram ser apóstolos, mas busquem o secreto da oração. Não ambicionem ter mega igrejas, busquem ser achados despenseiros fieis dos mistérios de Deus. Não se encantem com o brilho deste mundo, busquem ser apenas serviçais. Não alicercem seus ministérios sobre o ineditismo, busquem manejar bem a palavra da verdade; aquela mesma que Timóteo ouviu de Paulo e que deveria transmitir a homens fieis e idôneos que por sua vez instruiriam a outros. Pastores, não permitam que os seus cultos se transformem em shows. Não alimentem a natureza terrena e pecaminosa das pessoas, preguem a mensagem do Calvário.
Santo Agostinho afirmou: "O orgulho transformou anjos em demônios". Se quisermos nos parecer com Jesus, sigamos o conselho de Paulo aos filipenses: "Tende o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz" (2.5-8).
Soli Deo Gloria
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Para refletir...
Penso que estamos vivendo uma grande fantasia chamada por muitos de cristianismo, que ora, só visa à própria pessoa e os seus interesses pessoais, não acrescentando nada para o reino de Deus e ainda mais tornando a pessoa mais injusta do que justa, por que?
Porque eu me observo vejo que muitas pessoas que se chamam ou se se autodenomina cristãos, na verdade nem sabe o significado da cruz, o que seja se arrepender ou quais os frutos de uma verdadeira conversão. São pessoas que entram pelas portas da igreja como clientes que vão costumeiramente aos supermercados para atender aos seus apetites de consumo. Assim acredito que seja os cristãos de hoje, acreditam em tudo que ouvem, não julgam as profecias, sem discernimento, estão na verdade nem aí, para saber quem foi que morrer na cruz, porque o mais importante é o cidadão que está na frente dizer que será abençoado e ponto. Meus irmãos, já que não chegou à hora de acabarmos com esta palhaçada e levar o cristianismo que custou sangue, prisões, açoites dos mártires, e que agora estamos levando o negocio na superficialidade da fé, acredito que não foi e não será isto que atualmente estamos vivendo é que Cristo chamaria de cristianismo.
Pense nisto, e se converta!
Porque eu me observo vejo que muitas pessoas que se chamam ou se se autodenomina cristãos, na verdade nem sabe o significado da cruz, o que seja se arrepender ou quais os frutos de uma verdadeira conversão. São pessoas que entram pelas portas da igreja como clientes que vão costumeiramente aos supermercados para atender aos seus apetites de consumo. Assim acredito que seja os cristãos de hoje, acreditam em tudo que ouvem, não julgam as profecias, sem discernimento, estão na verdade nem aí, para saber quem foi que morrer na cruz, porque o mais importante é o cidadão que está na frente dizer que será abençoado e ponto. Meus irmãos, já que não chegou à hora de acabarmos com esta palhaçada e levar o cristianismo que custou sangue, prisões, açoites dos mártires, e que agora estamos levando o negocio na superficialidade da fé, acredito que não foi e não será isto que atualmente estamos vivendo é que Cristo chamaria de cristianismo.
Pense nisto, e se converta!
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
A Crise para Leigos: Uma visão cristã do turbilhão financeiro de 2008 (2 de 3)
Inicialmente pensávamos em dois posts, sobre o assunto, mas no final teremos três. Este é o segundo e o terceiro será postado em mais uns três dias. Desta vez, depois de ter tentado entender o que está acontecendo, com uma visão abrangente dos "derretimentos" de ativos financeiros que acontecem ao redor da Terra, queremos examinar:O QUE PODE A BÍBLIA NOS ENSINAR SOBRE ESSA CRISE FINANCEIRA?1. A Atitude dos que não temem a Deus:Em um filme famoso, exatamente sobre o mercado de capitais – “Wall Street” (1987, com Michael Douglas e Charlie Sheen) – o personagem de Douglas, Gekko, dá a seguinte instrução: “a ganância é uma coisa boa, é algo certo, e funciona” (“greed is good, greed is right, greed works”)! No dia 17 de outubro de 2008 – no auge da crise – o conhecido bilionário, investidor e também filântropo, Warren Buffet, em um artigo publicado no New York Times (http://www.cnbc.com/id/27231171/) escreveu o seguinte conselho: “Tenha medo quando os outros forem gananciosos e seja ganancioso quando os outros tiverem medo”.Ambos conselhos são contrários à visão de mundo e vida ensinada por Deus. A questão da ganância está na raiz da crise financeira de 2008! Temos aqui um exemplo vivo da postura de inversão de valores e de arrogância, condenada por Isaías (5.20 e 21): “Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridão luz e da luz, escuridão; põem o amargo por doce e o doce, por amargo! Ai dos que são sábios aos seus próprios olhos e prudentes em seu próprio conceito”!2. A forma de vida que agrada a Deus:A Bíblia tem vários trechos relevantes ao nosso entendimento da situação; muitos que alertam contra a ganância e a cobiça. Um desses principais trechos pertinentes é 1 Timóteo 6.6-11. Nele o experiente e consagrado apóstolo Paulo, escrevendo ao jovem Timóteo, está ensinando pelo menos seis coisas;(1) Qual o Lucro REAL? O que é que realmente conta em nossas vidas? (v. 6 – “De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento”): é a devoção a Deus (piedade); é o contentamento nas coisas de Deus. Quando colocamos as questões materiais como prioritárias em nossas vidas, estamos desviando o foco da nossa existência, a razão do nosso ser. Estamos no caminho da decepção, da amargura, da tristeza, pois a nossa confiança estará em coisas que não têm lastro real. Deus é alicerce seguro, em qualquer situação.(2) Somos peregrinos nessa Terra (v. 7 – “Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele”): é verdade que Deus nos concede bênçãos materiais, mas nada levamos deste mundo. Quando temos essa percepção, nos tornamos menos apegados às coisas materiais; compreendemos a razão do lucro real que ele vem falando.(3) Devemos viver com frugalidade (v. 8 – “Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes”): Desejemos as coisas básicas da vida e não seremos frustrados em nossas expectativas; essas nos são prometidas por Deus, como fruto de seu amor e benevolência (Mateus 6.28-32), pois ele sabe que precisamos delas. Mas as coisas do chamado “mercado de luxo”, são, realmente, necessárias? Onde está a base de nossa alegria? Nas coisas materiais, nos ganhos financeiros para comprarmos mais coisas?(4) A cobiça é um pecado muito perigoso (v. 9 – “Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição”): O desejo da riqueza leva a tentações; essas tentações são ciladas, armadilhas, aprisionam e tiram a liberdade. A cobiça é campo gerador de novos desejos insanos (concupiscências insensatas), que são maus em si mesmos (perniciosos); tudo isso, termina por afogar as pessoas na ruína e na perdição.(5) Cuidado com o amor do dinheiro (v. 10 – “Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores”): Esse amor é raiz de todos os males. Note que a raiz não é o dinheiro em si – um meio de interação social e transação de ativos, mas o amor, o apego ao dinheiro. A cobiça leva ao desvio da fé, pois a confiança passa a ser exercitada no dinheiro, no poder, em vez de em Deus. O resultado dessa inversão, desse apego, é muito sofrimento e tormento para aqueles que caem nessa armadilha.(6) Devemos, portanto, fugir de tudo isso (v. 11 – “Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão”): Nosso dever é seguir a justiça, as coisas certas, apropriadas. Isso implica na existência de padrões, de absolutos, da distinção entre verdade e mentira. Ele repete que devemos seguir, em adição, a devoção a Deus (piedade). O outro alvo é a fé (a confiança em Deus, somente), seguido do amor e da constância. O servo de Deus firma-se na constância e estabilidade de Deus, portanto, não deve oscilar entre duas posições. Não deve se sobressaltar com as circunstâncias; não deve assustar aos seus. Por último, temos a mansidão como alvo. Não devemos nos exasperar, ou nos irritar com as circunstâncias. Em Deus encontramos a fonte de nossa mansidão.3. Outros alertas contra cobiça:Existem muitos outros trechos que alertam contra a cobiça, contra a avareza, contra o apego ao dinheiro. Todos esses são pertinentes alertas aos dias que atravessamos, por exemplo:Colossenses 3.5 Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria.Lucas 12.15 Então, lhes recomendou: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui.Salmo 10.3 Pois o perverso se gloria da cobiça de sua alma, o avarento maldiz o SENHOR e blasfema contra ele.4. Outros ensinamentos, na Bíblia, sobre questões econômicas:Mas é verdade, também, que o ensino da Bíblia nas questões econômicas é muito mais amplo do que isso. Numa era onde temos a propensão a concentrar os nossos olhos nos que nos cercam, em vez de em nossas atitudes, temos, por exemplo, um alerta contra inveja da prosperidade alheia, indicando que essa atitude nos leva perto da queda:Salmo 73.2-3 Quanto a mim, porém, quase me resvalaram os pés; pouco faltou para que se desviassem os meus passos. 3 Pois eu invejava os arrogantes, ao ver a prosperidade dos perversos.Temos a reafirmação do direito de propriedade, e o oitavo mandamento, “não furtarás” (Êxodo 20.15) é o fundamento disso. Temos até indicação de que o ato de investir e multiplicar o capital não é errado em si, em duas parábolas relatadas em Mateus 25.14-30 e Lucas 19.11-27 (sabemos que o propósito das parábolas era o de ensinar que Deus nos colocou nesse mundo de incertezas para fazer a obra dele, do Seu Reino, mas ele ensina isso mostrando a propriedade da interação com as atividades financeiras e comerciais do dia-a-dia). Nessas parábolas é mencionada até a propriedade de colocar o dinheiro na mão de bancos e de banqueiros (Mateus 25.27 e Lucas 19.23: “cumpria, portanto, que entregasses o meu dinheiro aos banqueiros, e eu, ao voltar, receberia com juros o que é meu”; e “por que não pusestes o meu dinheiro no banco? E então, na minha vinda, o receberia com juros”). Entretanto, é interessante observar, que colocar no banco era o pior tipo de investimento – o melhor era fazer o capital trabalhar produtivamente.A verdade é que Deus construiu, igualmente, alguns princípios inexoráveis de causa e efeito, entrelaçando a moralidade e ética com economia. Quando esses princípios são quebrados, o pedágio é cobrado com intensidade avassaladora. Em Deuteronômio 28.15 lemos: “Será, porém, que, se não deres ouvidos à voz do SENHOR, teu Deus, não cuidando em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos que, hoje, te ordeno, então, virão todas estas maldições sobre ti e te alcançarão”. E, mais adiante, vejam as conseqüências (28.43-44): “O estrangeiro que está no meio de ti se elevará mais e mais, e tu mais e mais descerás. 44 Ele te emprestará a ti, porém tu não lhe emprestarás a ele; ele será por cabeça, e tu serás por cauda”. Adam Smith em seu tratado “A Riqueza das Nações (1776), ao falar da “mão invisível do mercado”, que pune os excessos e quebra os gananciosos – como estamos testemunhando no presente – reflete exatamente que existem princípios éticos e lógicos na esfera da economia. Esse é também o ensino de Deus.5. O ponto no qual devemos nos concentrar:Mas esta é questão principal, nessa crise e nessa área: É suficiente apontar a crise como resultado da cobiça e da especulação dos outros? É correto atribuir essa situação, assepticamente à estrutura econômica do mundo ocidental, na ilusão de que um outro sistema econômico a impediria? Será que não podemos, apenas, segregar e atribuir a culpa à suposta maldade inerente ao sistema financeiro, ou aos bancos e banqueiros?Estaremos errando o alvo se não nos convencermos que o problema está inerentemente no ser humano. A cobiça está no coração da natureza humana e devemos pedir a Deus que nos livre dela. A cobiça e a ganância são, certamente a raiz da crise que atravessamos, mas visualizemos ela nas pessoas, e não nos desviemos pensando que são as estruturas impessoais que as abrigam. Pessoas que emulam o Gekko, ou que seguem os conselhos de Buffet.A cobiça aparece em toda a sua forma monstruosa quando essas pessoas procuram ganhos irreais, à custa de outras; que se abrigam e se fortalecem com seus ganhos ilegítimos. Devemos, portanto, “fugir dessas coisas”, como Paulo alerta a Timóteo, seguir “a justiça,a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão”.No próximo post, a conclusão do assunto.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
A Crise para Leigos: Uma visão cristã do turbilhão financeiro de 2008(1ª parte)
Como não sou profissional de investimentos de risco, incluo-me na categoria do leigo que tenta entender o furacão financeiro que veio, não tão inesperadamente assim, sobre todo o mundo. Sinais de alerta já existiam há vários meses. Os sismólogos econômicos chamaram atenção para o tsunami configurado no colapso do bolsão imobiliário dos Estados Unidos, há mais de um ano; e os trovadores do caos já cantavam odes de desespero, ecoando os prognósticos pessimistas dos financistas, mesmo antes das bolsas despencarem violentamente neste setembro negro e neste outubro vermelho.Mas a realidade é que ninguém, mas ninguém mesmo, aquilatou o tamanho da crise financeira que tomou de assalto as manchetes e os noticiários dos últimos dias; crise que assaltou, literalmente, o bolso de milhões de investidores e que vai levando de roldão corporações imensas à falência. Ninguém fez qualquer previsão parecida com as conseqüências conjunturais, que poderão atingir pessoas, comuns, que nunca passaram perto de um mercado de ações; aquelas pessoas que quando ouvem alguém dizer, "a bolsa caiu", olham ao lado procurando ajudar a mulher que a derrubou no chão.É possível que todos nós sejamos atingidos, de uma maneira ou de outra, e não devemos nos enganar: essa crise de 2008 pode perturbar nossa vida com muito mais intensidade do que estamos imaginando agora. E não sabemos ainda o fim da história. Em 13 de outubro de 2008, após governos europeus se comprometerem a jogar mais de um trilhão de dólares nas instituições financeiras, houve uma ascensão momentânea nas bolsas e um tênue suspiro de otimismo; mas logo nos dias seguintes as quedas catastróficas vieram a se repetir. Tudo isso atesta a instabilidade inerente a todo o sistema. Instabilidade é, realmente, a palavra da vez e o comportamento dos mercados e das instituições parecendo uma "montanha russa", ou a queda em um poço que não parece ter fundo, não resulta em nenhuma segurança às empresas e às pessoas.
Como entender o que está acontecendo? Será que isso tem algo, mesmo, a ver comigo? Será que eu não posso simplesmente fazer coro com a maioria: xingar os bancos, as financeiras e os banqueiros, ou os Estados Unidos – como culpados por toda essa desorganização, como fruto de sua ganância desvairada? Será que eu devo clamar por mais regulamentação governamental? Devo "vender" mais um pedaço de minha escassa liberdade ao estado, para que ele decida o que é melhor para minha vida? Será que a Bíblia e os ensinamentos divinos têm algo a dizer, ou a esclarecer sobre esta Crise; ou a me auxiliar no entendimento?ENTENDENDO A CRISE1. A Bolha Imobiliária: A essas alturas todos sabem que uma das grandes causas da crise foi o bolsão de negócios imobiliários realizados nos Estados Unidos nos últimos anos. Não estamos falando de grandes cadeias de shopping-centers sendo construídos por empreendedores que merecem cadeia, nem de milhares de prédios inteligentes, construídos por burros de alto-luxo. Mas sim de centenas de milhares de casas construídas e vendidas com um mínimo de critério de crédito (muitas vezes, sem critério), para ávidos compradores pulverizados em todo o território norte-americano. Créditos com a garantia do próprio imóvel, que entravam a preços inflados pelo próprio aquecimento do mercado, mas que nada garantem quando ninguém compra mais nada e os preços despencam.2. O Abuso dos Créditos de Risco: Nesse ritmo, casas foram vendidas a compradores que, aliciados pelas facilidades e com os olhos vidrados no status, se comprometiam com valores significativamente acima da sua capacidade de pagamento. Pior que isso, pessoas que moravam em casas quase pagas, sendo bombardeadas diariamente e caindo na esparrela de refinanciarem seus imóveis, colocaram no bolso "cash" a ser gasto em Hummers, em relógios e roupas de griffe, em itens totalmente supérfluos às necessidades básicas da vida. Passavam, assim, a dever por suas residências quantia bem maior do que o valor real delas.
3. A alavancagem das instituições Financeiras: Os Bancos financiavam em ritmo crescente, comprometendo-se absurdamente acima do seu patrimônio. O Lehman Brothers, famoso banco que quebrou – suas ações despencaram 98% em valor de um dia para o outro, estava com o patrimônio comprometido – alavancado – em 35 para 1 (emprestou 35 dólares, para cada dólar do seu patrimônio). As carteiras de recebíveis desses empréstimos foram sendo vendidas de banco para banco, cada qual com seus ganhos, ágios e deságios – distanciando-se cada vez mais dos devedores originais. A criatividade dos bancos para aliciar e emprestar foi só superada pela irresponsabilidade e ganância dos tomadores de empréstimos – satisfeitos por acharem quem atendesse os seus anseios. Essa enorme carteira de dívidas de quem não pode pagar constituem o que é chamado de créditos "sub-primes", e esses papéis corriam de mão em mão no mundo das finanças. Papéis pelos quais se pagavam somas substanciais, mas que no mundo real nada mais valiam. Uma pergunta que não quer calar: Por que bancos emprestam, ou negociam com quem não pode pagar? Resposta – porque essas negociações dão a impressão (e provocam registros) de crescimento do negócio! Os executivos de topo recebem polpudos bônus com o incremento dos negócios! Ganância passa a ser a motivação (e não a saúde financeira, ou perenidade da instituição). Quando a inadimplência começa a aumentar (nesses últimos meses, exponencialmente), o falso crescimento fica evidente, há um brusco retorno à realidade, instala-se a crise!4. O excesso de dólares no mercado: Por mais atacado e combalido, o dólar continua sendo
a moeda internacional. Acredito que um dos grandes incentivadores dos negócios arriscados dos bancos, foi a abundância de dólares nessas instituições, provenientes dos poucos, mas importantes, detentores do negócio de petróleo. Em 1973 o barril de petróleo custava de 6 dólares. Em poucos meses, passou a 14 dólares. O que aconteceu? Ficou mais caro de ser extraído? Foi feito um fundo de reserva para pesquisa e desenvolvimento de veículos ecologicamente corretos e mais eficientes? Não – apenas cartelizou-se o mercado com a fundação da OPEP – Organização dos países produtores de petróleo. Daí para frente, passando a dar as cartas, o mundo viu (e pagou) o preço do barril flutuando entre 15 e 25 dólares, atingindo um pico de 38, em 1981, retroagindo um pouco, mas voltando a ascender gradativamente em 2003. Em 2007 o barril estava a 60 dólares. Em 2008 – o mesmo barril, ou seja, com o mesmo conteúdo (e com os mesmos custos anteriores de produção) atingia 140 dólares! Inflação mundial? Não, exploração de quem detém um mercado cativo; pura e simples ganância! E para onde foi todo esse excesso de dólares, confiscados de cada proprietário de veículo ao redor do mundo? Para melhoria dos povos dos países produtores? Não! A miséria da Venezuela e o despotismo dos países Árabes estão aí de prova que não foi para "distribuição de renda". Além de alimentar o egocentrismo e tirania de alguns e de ajudar a armar a Venezuela, esses dólares foram para os Bancos. Lá, eles têm que ser remunerados; têm que ser aplicados. Em que? Em qualquer coisa – dêem-me tomadores de dinheiro emprestado, quer eles precisem quer não, pois o dinheiro não pode ficar parado. Financiem-se construções; criem-se mercados; incentivem-se os devedores – a festa começou! Em 16 de outubro de 2008, no meio da corrente crise, depois do estouro da bolha, o barril chegou a 69,85 dólares – metade do preço de alguns meses atrás!5. Ações acima do valor patrimonial das empresas
– Capital fácil flui também para o mercado de ações. "Descola-se" o papel da realidade da empresa. Como o negócio é comprar e vender – e em um mercado de capital frouxo, mais comprar do que vender, os preços começam sua ascensão. Dinheiro é desviado de empresas, onde deveria estar financiando a capacidade produtiva, para especular com a bolsa e outras aplicações de risco. É mais fácil e mais rápido ganhar dinheiro lá, do que vendendo produtos, cuidando de problemas de qualidade, etc. A empresa passa a ser apenas mais uma levantadora de financiamentos, junto à rede bancária e às linhas oficiais de créditos subsidiados – geralmente destinados à exportação, recursos que foram redirecionados ao mercado especulativo. Quando a bolha estoura, as ações sofrem um choque de realidade, voltam inicialmente ao valor patrimonial – mas como não existem compradores, e todos querem vender, pois precisam de dinheiro, elas continuam baixando, sem limites mínimos. Assim, o dinheiro vira pó; as perdas não podem ser repostas; os financiamentos obtidos para especular permanecem pendentes, devendo ser pagos! O resultado são aqueles homenzinhos vestidos de laranja gritando ferozmente uns para os outros, berrando aos celulares, suando em frente aos computadores; olhando hipnotizados àquelas linhas de informações projetadas em telões, criptografadas aos demais mortais, mas que trazem notícias mortais a empresas e pessoas.6. O estouro da boiada – Só na Espanha existem os loucos que adoram bois raivosos e sem controle chifrando o povo pelas ruas, mas no mundo da economia globalizada, o estouro da boiada é cruel e faz vitimas fatais. No clima de salve-se quem puder, some a confiança. Os Bancos retêm o capital que restou e não emprestam mais aos outros bancos, nem às empresas viciadas em financiamento fácil. Dobram-se as garantias. As empresas têm que produzir duas vezes mais, para gerar bens, que vão gerar papeis, que serão trocados, em financiamentos, por metade ou um terço do valor desses (o restante fica como garantia, pois ninguém sabe se os compradores vão pagar). O dinheiro some do mercado. Não há financiamento da produção e desaparecem os compradores. Resultado: corte de funcionários; inadimplência generalizada – espalha-se a crise a pessoas comuns que nem foram responsáveis por sua geração. O que os bancos, nesse estouro da boiada, estão fazendo com o dinheiro que sobrou? Comprando dólares – letras do tesouro norte-americano (tudo gira, gira e termina nos Estados Unidos). Esses papéis não rendem praticamente nada, mas têm garantia do governo norte-americano e sólida liquidez. Resultado: sobe o dólar; valoriza-se a moeda norte americana; tudo fica mais caro, no mundo.
A CRISE NO BRASILNossas autoridades maiores, empenhadas na tarefa cansativa de providenciar pão e circo ao povo, tentaram cobrir o sol com uma peneira, indicando que mal sentiríamos o peso da crise, por aqui. Afinal, o tsunami chegaria a nossas praias apenas como uma leve "marolinha". Pura mentira. A crise está conosco, já fazendo muitos estragos:1. As diferenças: É verdade que nossos bancos não estavam diretamente atrelados àquelas carteiras podres de créditos imobiliários; além disso, o nível de exposição dos bancos brasileiros é drasticamente menor do que no exterior. Diferentemente de um Lehman Brothers (35 para 1) nossos bancos têm uma média de exposição de 4 para 1. Por último, nosso Banco Central tem compulsório para tudo (lastro em moeda que os bancos são obrigados a deixar com o governo para as operações que realizam) – por isso pagamos os juros mais altos do mundo – e isso faz com que haja uma fonte rápida de liquidez, se esses valores forem revertidos ao mercado, via rede bancária.2. As similaridades e conseqüências comuns: Nesse mundo interligado, todos os bancos possuem operações internacionais e alguns têm no exterior as próprias matrizes. Todos, de uma forma ou de outra, financiam capital que vai para o mercado especulativo: quer no exterior; quer em aplicações cambiais; quer no mercado de ações. Assim, várias empresas – todas essas financiadas por bancos – constatam perdas irrecuperáveis e espetacularmente enormes, como têm sido o caso da Sadia (R$760 milhões), Aracruz (R$1,24 bilhão) e do Grupo Votorantim (R$2 bilhões). Com o mundo, lá fora, parado, nossas exportações desaparecem. A Balança comercial de setembro – que ainda não reflete praticamente nada da crise, já caiu mais de 30% comparando com o mesmo período no ano passado. Isso significa empresas diminuindo de tamanho ou fechando; desemprego; inadimplência; redução dos negócios em todas as áreas. O mercado de ações despenca, como no exterior, estando ele igualmente inflado com os papéis fora da realidade patrimonial de cada empresa. Muitos perdem 50, 60, 75% do dinheiro que aplicaram a apenas alguns meses atrás. Os grandes Bancos "sentam em cima do capital" – não movimentam, não emprestam. Os esforços do governo – em aumentar a circulação de valores na economia, liberando os depósitos compulsórios dos bancos, têm pouco efeito a curto e a médio prazo. Somem os financiamentos a longo prazo que possibilitavam ao brasileiro a compra de um carro novo e outros bens de consumo. Cai o preço dos imóveis, pois não há compradores, nem financiamento. Cai o valor patrimonial dos bancos – as ações de grandes bancos colocadas no mercado externo, como Itaú e Bradesco, caem mais de 20 bilhões (30%) em poucas semanas. Começa um processo de desconfiança na praça e, como no resto do mundo, ninguém sabe ainda o fim desse filme...
3. A alta do dólar: Esse foi o reflexo mais imediato e mais surrealista. Ficamos intrigados - "Mas a crise não foi gerada pelos Estados Unidos; não são eles que estão com problemas; como é que a moeda deles fica forte a nossa vai para o espaço"? Exatamente porque valores não estão sendo movimentados na economia global e as instituições financeiras procuram o abrigo no dólar e nas garantias do governo americano, ele sobe e se fortalece. Resultado interno, em nosso país: alta intensa, instabilidade, queima de reservas, possível manutenção em um patamar significativamente mais alto do que nos últimos meses. Resultado que sentiremos a curto prazo: aumento de todos os insumos e produtos importados. Prepare-se para gastar mais, quando for à Rua 25 de março!
Como entender o que está acontecendo? Será que isso tem algo, mesmo, a ver comigo? Será que eu não posso simplesmente fazer coro com a maioria: xingar os bancos, as financeiras e os banqueiros, ou os Estados Unidos – como culpados por toda essa desorganização, como fruto de sua ganância desvairada? Será que eu devo clamar por mais regulamentação governamental? Devo "vender" mais um pedaço de minha escassa liberdade ao estado, para que ele decida o que é melhor para minha vida? Será que a Bíblia e os ensinamentos divinos têm algo a dizer, ou a esclarecer sobre esta Crise; ou a me auxiliar no entendimento?ENTENDENDO A CRISE1. A Bolha Imobiliária: A essas alturas todos sabem que uma das grandes causas da crise foi o bolsão de negócios imobiliários realizados nos Estados Unidos nos últimos anos. Não estamos falando de grandes cadeias de shopping-centers sendo construídos por empreendedores que merecem cadeia, nem de milhares de prédios inteligentes, construídos por burros de alto-luxo. Mas sim de centenas de milhares de casas construídas e vendidas com um mínimo de critério de crédito (muitas vezes, sem critério), para ávidos compradores pulverizados em todo o território norte-americano. Créditos com a garantia do próprio imóvel, que entravam a preços inflados pelo próprio aquecimento do mercado, mas que nada garantem quando ninguém compra mais nada e os preços despencam.2. O Abuso dos Créditos de Risco: Nesse ritmo, casas foram vendidas a compradores que, aliciados pelas facilidades e com os olhos vidrados no status, se comprometiam com valores significativamente acima da sua capacidade de pagamento. Pior que isso, pessoas que moravam em casas quase pagas, sendo bombardeadas diariamente e caindo na esparrela de refinanciarem seus imóveis, colocaram no bolso "cash" a ser gasto em Hummers, em relógios e roupas de griffe, em itens totalmente supérfluos às necessidades básicas da vida. Passavam, assim, a dever por suas residências quantia bem maior do que o valor real delas.
3. A alavancagem das instituições Financeiras: Os Bancos financiavam em ritmo crescente, comprometendo-se absurdamente acima do seu patrimônio. O Lehman Brothers, famoso banco que quebrou – suas ações despencaram 98% em valor de um dia para o outro, estava com o patrimônio comprometido – alavancado – em 35 para 1 (emprestou 35 dólares, para cada dólar do seu patrimônio). As carteiras de recebíveis desses empréstimos foram sendo vendidas de banco para banco, cada qual com seus ganhos, ágios e deságios – distanciando-se cada vez mais dos devedores originais. A criatividade dos bancos para aliciar e emprestar foi só superada pela irresponsabilidade e ganância dos tomadores de empréstimos – satisfeitos por acharem quem atendesse os seus anseios. Essa enorme carteira de dívidas de quem não pode pagar constituem o que é chamado de créditos "sub-primes", e esses papéis corriam de mão em mão no mundo das finanças. Papéis pelos quais se pagavam somas substanciais, mas que no mundo real nada mais valiam. Uma pergunta que não quer calar: Por que bancos emprestam, ou negociam com quem não pode pagar? Resposta – porque essas negociações dão a impressão (e provocam registros) de crescimento do negócio! Os executivos de topo recebem polpudos bônus com o incremento dos negócios! Ganância passa a ser a motivação (e não a saúde financeira, ou perenidade da instituição). Quando a inadimplência começa a aumentar (nesses últimos meses, exponencialmente), o falso crescimento fica evidente, há um brusco retorno à realidade, instala-se a crise!4. O excesso de dólares no mercado: Por mais atacado e combalido, o dólar continua sendo
a moeda internacional. Acredito que um dos grandes incentivadores dos negócios arriscados dos bancos, foi a abundância de dólares nessas instituições, provenientes dos poucos, mas importantes, detentores do negócio de petróleo. Em 1973 o barril de petróleo custava de 6 dólares. Em poucos meses, passou a 14 dólares. O que aconteceu? Ficou mais caro de ser extraído? Foi feito um fundo de reserva para pesquisa e desenvolvimento de veículos ecologicamente corretos e mais eficientes? Não – apenas cartelizou-se o mercado com a fundação da OPEP – Organização dos países produtores de petróleo. Daí para frente, passando a dar as cartas, o mundo viu (e pagou) o preço do barril flutuando entre 15 e 25 dólares, atingindo um pico de 38, em 1981, retroagindo um pouco, mas voltando a ascender gradativamente em 2003. Em 2007 o barril estava a 60 dólares. Em 2008 – o mesmo barril, ou seja, com o mesmo conteúdo (e com os mesmos custos anteriores de produção) atingia 140 dólares! Inflação mundial? Não, exploração de quem detém um mercado cativo; pura e simples ganância! E para onde foi todo esse excesso de dólares, confiscados de cada proprietário de veículo ao redor do mundo? Para melhoria dos povos dos países produtores? Não! A miséria da Venezuela e o despotismo dos países Árabes estão aí de prova que não foi para "distribuição de renda". Além de alimentar o egocentrismo e tirania de alguns e de ajudar a armar a Venezuela, esses dólares foram para os Bancos. Lá, eles têm que ser remunerados; têm que ser aplicados. Em que? Em qualquer coisa – dêem-me tomadores de dinheiro emprestado, quer eles precisem quer não, pois o dinheiro não pode ficar parado. Financiem-se construções; criem-se mercados; incentivem-se os devedores – a festa começou! Em 16 de outubro de 2008, no meio da corrente crise, depois do estouro da bolha, o barril chegou a 69,85 dólares – metade do preço de alguns meses atrás!5. Ações acima do valor patrimonial das empresas
– Capital fácil flui também para o mercado de ações. "Descola-se" o papel da realidade da empresa. Como o negócio é comprar e vender – e em um mercado de capital frouxo, mais comprar do que vender, os preços começam sua ascensão. Dinheiro é desviado de empresas, onde deveria estar financiando a capacidade produtiva, para especular com a bolsa e outras aplicações de risco. É mais fácil e mais rápido ganhar dinheiro lá, do que vendendo produtos, cuidando de problemas de qualidade, etc. A empresa passa a ser apenas mais uma levantadora de financiamentos, junto à rede bancária e às linhas oficiais de créditos subsidiados – geralmente destinados à exportação, recursos que foram redirecionados ao mercado especulativo. Quando a bolha estoura, as ações sofrem um choque de realidade, voltam inicialmente ao valor patrimonial – mas como não existem compradores, e todos querem vender, pois precisam de dinheiro, elas continuam baixando, sem limites mínimos. Assim, o dinheiro vira pó; as perdas não podem ser repostas; os financiamentos obtidos para especular permanecem pendentes, devendo ser pagos! O resultado são aqueles homenzinhos vestidos de laranja gritando ferozmente uns para os outros, berrando aos celulares, suando em frente aos computadores; olhando hipnotizados àquelas linhas de informações projetadas em telões, criptografadas aos demais mortais, mas que trazem notícias mortais a empresas e pessoas.6. O estouro da boiada – Só na Espanha existem os loucos que adoram bois raivosos e sem controle chifrando o povo pelas ruas, mas no mundo da economia globalizada, o estouro da boiada é cruel e faz vitimas fatais. No clima de salve-se quem puder, some a confiança. Os Bancos retêm o capital que restou e não emprestam mais aos outros bancos, nem às empresas viciadas em financiamento fácil. Dobram-se as garantias. As empresas têm que produzir duas vezes mais, para gerar bens, que vão gerar papeis, que serão trocados, em financiamentos, por metade ou um terço do valor desses (o restante fica como garantia, pois ninguém sabe se os compradores vão pagar). O dinheiro some do mercado. Não há financiamento da produção e desaparecem os compradores. Resultado: corte de funcionários; inadimplência generalizada – espalha-se a crise a pessoas comuns que nem foram responsáveis por sua geração. O que os bancos, nesse estouro da boiada, estão fazendo com o dinheiro que sobrou? Comprando dólares – letras do tesouro norte-americano (tudo gira, gira e termina nos Estados Unidos). Esses papéis não rendem praticamente nada, mas têm garantia do governo norte-americano e sólida liquidez. Resultado: sobe o dólar; valoriza-se a moeda norte americana; tudo fica mais caro, no mundo.
A CRISE NO BRASILNossas autoridades maiores, empenhadas na tarefa cansativa de providenciar pão e circo ao povo, tentaram cobrir o sol com uma peneira, indicando que mal sentiríamos o peso da crise, por aqui. Afinal, o tsunami chegaria a nossas praias apenas como uma leve "marolinha". Pura mentira. A crise está conosco, já fazendo muitos estragos:1. As diferenças: É verdade que nossos bancos não estavam diretamente atrelados àquelas carteiras podres de créditos imobiliários; além disso, o nível de exposição dos bancos brasileiros é drasticamente menor do que no exterior. Diferentemente de um Lehman Brothers (35 para 1) nossos bancos têm uma média de exposição de 4 para 1. Por último, nosso Banco Central tem compulsório para tudo (lastro em moeda que os bancos são obrigados a deixar com o governo para as operações que realizam) – por isso pagamos os juros mais altos do mundo – e isso faz com que haja uma fonte rápida de liquidez, se esses valores forem revertidos ao mercado, via rede bancária.2. As similaridades e conseqüências comuns: Nesse mundo interligado, todos os bancos possuem operações internacionais e alguns têm no exterior as próprias matrizes. Todos, de uma forma ou de outra, financiam capital que vai para o mercado especulativo: quer no exterior; quer em aplicações cambiais; quer no mercado de ações. Assim, várias empresas – todas essas financiadas por bancos – constatam perdas irrecuperáveis e espetacularmente enormes, como têm sido o caso da Sadia (R$760 milhões), Aracruz (R$1,24 bilhão) e do Grupo Votorantim (R$2 bilhões). Com o mundo, lá fora, parado, nossas exportações desaparecem. A Balança comercial de setembro – que ainda não reflete praticamente nada da crise, já caiu mais de 30% comparando com o mesmo período no ano passado. Isso significa empresas diminuindo de tamanho ou fechando; desemprego; inadimplência; redução dos negócios em todas as áreas. O mercado de ações despenca, como no exterior, estando ele igualmente inflado com os papéis fora da realidade patrimonial de cada empresa. Muitos perdem 50, 60, 75% do dinheiro que aplicaram a apenas alguns meses atrás. Os grandes Bancos "sentam em cima do capital" – não movimentam, não emprestam. Os esforços do governo – em aumentar a circulação de valores na economia, liberando os depósitos compulsórios dos bancos, têm pouco efeito a curto e a médio prazo. Somem os financiamentos a longo prazo que possibilitavam ao brasileiro a compra de um carro novo e outros bens de consumo. Cai o preço dos imóveis, pois não há compradores, nem financiamento. Cai o valor patrimonial dos bancos – as ações de grandes bancos colocadas no mercado externo, como Itaú e Bradesco, caem mais de 20 bilhões (30%) em poucas semanas. Começa um processo de desconfiança na praça e, como no resto do mundo, ninguém sabe ainda o fim desse filme...
3. A alta do dólar: Esse foi o reflexo mais imediato e mais surrealista. Ficamos intrigados - "Mas a crise não foi gerada pelos Estados Unidos; não são eles que estão com problemas; como é que a moeda deles fica forte a nossa vai para o espaço"? Exatamente porque valores não estão sendo movimentados na economia global e as instituições financeiras procuram o abrigo no dólar e nas garantias do governo americano, ele sobe e se fortalece. Resultado interno, em nosso país: alta intensa, instabilidade, queima de reservas, possível manutenção em um patamar significativamente mais alto do que nos últimos meses. Resultado que sentiremos a curto prazo: aumento de todos os insumos e produtos importados. Prepare-se para gastar mais, quando for à Rua 25 de março!
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
A nossa condição
Meus amigos e irmãos estou escrevendo aqui com base na atual condição da igreja no Brasil, se é que posso me referir o termo igreja (no singular, como referencia as todas as igrejas evangélicas) ou igrejas (sendo que cada igreja adota um sistema diferente), eu entendo que com isso estamos submergindo a uma ida sem volta na questão dos parâmetros que norteiam a nossa fé, eu entendo que você dirá que é muito bom ter varias igrejas visto que os descrentes serão alcançados por uma destas que mais lhe convier sua liturgia e doutrina, mas, eu vejo que a principio cujo objetivo fora alcançar os descrentes não foi seguido à risca, visto que boa parte destas igrejas há dissidentes de outras igrejas avengelicas que saíram de suas igrejas devido a questões tão banais, ou mesmo devido a sua conduta de pecado, visto que na igreja que estava todos o conhecia. A igreja cresce, e todos podem até se conformar com isto, mas, me espanto que uma determinada tem o seu crescimento volumoso constando de crentes de outras igrejas que não suportaram a sã doutrina. Meus irmãos para onde vamos, se não aplicarmos a disciplina bíblica que visa à correção do individuo com vistas ao aperfeiçoamento de sua santidade, sem falar nas mensagens que ultimamente tenho ouvido que não leva mais à reflexão da minha existência levando-me a tomar uma atitude, visto que hoje as mensagens estão superficiais e dentro de uma tendência materialista, entendendo que o crente é abençoado quando evidencia isto no terreno material, tenho saudades de mensagens que falam da cruz, do sacrifício de Cristo, das bem-aventuranças que norteiam a conduta do cristão rumo a sua vida de santidade em relação a Deus e ao mundo. Hoje estamos com uma massa de crentes que são perfeitamente corretos no domingo no culto, mas que na segunda em diante tem o seu prazer em ganhar dinheiro e viver sua vida mundana, sem ter nenhuma relação com sua espiritualidade. Meus amigos temos um grande desafio de manter a Bíblia como regra de fé a pratica ainda que para muitos esteja em desuso até mesmo a leitura da Bíblia. Vivemos tempos difíceis já dizia Paulo que os homens seriam amantes de si mesmos, egoístas. Que está mais envolvido consigo mesmo do que a igreja, que é santa.
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